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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vestida de noite

08.10.20, Alice Alfazema

estrelas.jpg

 

Olhar a noite e ver as estrelas é das coisas mais simples e intrigantes da vida. Sentirmos o quanto somos minúsculos ao olharmos o céu e pensarmos o que poderá existir mais além.  É no cheiro da noite e nos seus barulhos fugazes, que a escuridão acolhedora se pode transformar em assustadora. Um mundo desconhecido à nossa frente.

 

noite brilhante.jpeg

 

A aldeia não existe,
exceto quando uma árvore de cabelos escuros desliza
no ar abrasador como uma mulher afogada.
A aldeia está em silêncio. A noite fervilha com onze estrelas.
Ó, noite estrelada! É assim que
eu quero morrer.

Movimento. Elas estão todas vivas.
Até a lua incha em sua rigidez alaranjada
para, como um deus, afastar os filhos de seus olhos.
A velha serpente invisível engole as estrelas.
Ó, noite estrelada! É assim que
eu quero morrer:

nessa fera da noite veloz,
sugada por esse grande dragão, para me separar
de minha vida sem qualquer bandeira,
sem entranhas,
sem lamento.

 

vestida de noite.jpg

 

Nisto tudo não há separação, é apenas uma continuidade. Vestimo-nos então de noite para esperarmos o dia. 

 

 

 

Poema é de Anne Sexton, as ilustrações são de Anita Klein.

 

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