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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vermelhinhas

07.10.20, Alice Alfazema

maças.jpg

Ilustração Ada Breedveld 

 

As maçãs adoram

fazer escuridão.

Cobrem o rosto e

agonizam, indefesas

sobre um prato

 

Se mordidas

com força, sua

argúcia se perde,

voam ao vento

e ruborizam

de vergonha.

 

As maçãs têm

olhos, mas ninguém

percebe. Franzem

sobrancelhas, sentem

frio, se soerguem

e interrompem sem

coragem de falar.

 

Quando tristes,

se estragam mais

depressa. Perdem

a avidez na terra

extensa do incerto,

morrem de vergonha,

 

nuas, mas vestidas.

 

 

Poema de Jorge Lucio de Campos

 

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