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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Útero

10.09.19, Alice Alfazema

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Ilustração Sarah Jarrett 

 

discurso vazio e pretensioso lambuzado em muros
santificados
repetidas e repetidas vezes
até que quase todo mundo acredite que é
viável.

 

afetações dos séculos aceitas
como Arte.

 

cuidado com os livros didático, cuidado com as bibliotecas,
cuidado com as galerias,
cuidado com o pai e o professor.
cuidado com a mãe.

 

nascemos numa civilização atordoada
por uma mediocridade esmagadora.

 

o que está diante de nós é um truque, uma
ilusão, uma mentira.

 

o útero nos cuspiu num cano de esgoto.
novos deuses são necessários.
novas portas precisam ser abertas.
esperamos tanto por tão pouco.
devemos romper o cerco.
essa obscuridade fede a nós,
aqui.

 

 

Poema Charles Bukowski