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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma mão cheia

27.01.18, Alice Alfazema

 

Longe parecerá o dia em que os vermes nos venham comer, que passem por nós já frios e imóveis, em que a nossa vontade será nula perante a Natureza das coisas. E crescerão flores sobre nós e pássaros hão-de poisar nos seus ramos. Tão longe que será tão breve, como uma chuva miudinha que parece não molhar.

 

 

E a pele será comida, nosso berço aquele barro vermelho, aos poucos nos havemos de transformar, de sólido a líquido, de líquido a pó. E alguém agarrará uma mão cheia de terra e lançará ao ar, e voaremos num sopro, espalhados em vários rumos povoaremos um outro ser. E não haverá guerra nem paz que altere isso. Nem zangas, nem revoltas, nem sorrisos, nada, apenas uma mão cheia de nada.

 

 

Ilustrações  Nunzio Paci

 

 

Alice Alfazema