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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Um punhado de terra

24.05.20, Alice Alfazema

punhado.jpg

 

Tenho um punhado de terra já exausta, cultivei tantas coisas nela e durante tanto tempo que anulei por completo a sua reprodução, fartei-me de a regar, mas a terra era sempre a mesma,  as culturas não nasciam, ou então cresciam raquíticas e sem sabor. Foi longo o período em que estive em busca de encontrar as soluções para que tudo aquilo tivesse um final fim feliz, culpava a terra, as sementes, a água, o Sol, o vento, a chuva, o frio. Nem me lembrava que a agricultora era eu, as escolhas eram as minhas, o tempo era o meu. Um dia fartei-me daquela terra e olhei à minha volta, havia tanta terra bravia por descobrir. Montanhas, vales, planícies. Porque continuava eu ali a tentar obter algo quando o que via não me levava a nada? 

 

dar e receber.jpg

 

Um punhado de pó,

um punhado de terra,

um punhado de vida,

por cada um - três actos.

 

Em cada acto uma verdade,

de trás para a frente,

em linha,

a coberto e a descoberto.

 

Um mundo por inventar,

para descobrir, 

ousar,

um punhado de tudo.

 

 

Ilustrações são de Hannah Lock

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