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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

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20.10.17 | Alice Alfazema

O meu cão, não vai à escola 
Não sabe ler, mas tem educação
Conheço pessoas analfabetas
Pessoas de baixa condição 
Que até são mais educadas
Do que aquelas que lá vão


O meu cão, vive na barraca
Como vive qualquer cão
Há pessoas a viver em barracas
Tantas, que até mete impressão
Fazem as casas para os outros 
Mas só para si…é que não

 

 

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O meu cão, não tem carro
Telemóvel ou televisão
Coisa que toda a gente tem 
Símbolos da nossa civilização
Todos a imitarem todos
Mesmo que em casa, falte o pão 


O meu cão, não trabalha 
Vive daquilo que lhe dão
Como muitos desempregados
Que vivem em exclusão
São novos para a reforma
Mas não arranjam patrão


O meu cão, não vota 
Em nenhuma eleição
Não acredita em promessas
Como qualquer cidadão
Gosta mais duma soneca
E faz parte, da abstenção

 

 

 

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O meu cão, não separa o lixo
Nem sabe o que é poluição
Também conheço pessoas
Que não fazem a separação
Deitam o lixo todo misturado
E até cospem para o chão


O meu cão, não é mentiroso
E nunca morde à traição
É um leal e fiel amigo 
Como poucos homens são
Quanto mais conheço os homens
Mais amigo sou, do meu cão

 

 

 

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O meu cão, não é rico 
Mas é um rico cão 
Gosta dos ricos e dos pobres 
Sem qualquer distinção
Tão diferente dos homens
Que fazem discriminação


É tanta a coincidência 
Que até faz confusão 
Haver homens a viver 
Tal e qual, o meu cão 
Responda quem souber 
Quem leva, vida de cão?

 

 

 

 

Poema de António Silva

 

 

 

 

Alice Alfazema