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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Janeiro 20/20

11

11.01.20, Alice Alfazema
  Não comerei da alface a verde pétala  Nem da cenoura as hóstias desbotadas  Deixarei as pastagens às manadas  E a quem mais aprouver fazer dieta.  Cajus hei de chupar, mangas-espadas  Talvez pouco elegantes para um poeta  Mas pêras e maçãs, deixo-as ao esteta  Que acredita no cromo das saladas.      Não nasci ruminante como os bois  Nem como os coelhos, roedor; nasci  Omnívoro; dêem-me feijão com arroz  E um bife, e um queijo forte, e parati  E eu (...)

Dezembro - Dia 8 - Ocupação

08.12.19, Alice Alfazema
Ilustração Timothy Adam Matthew     Estou aqui ocupada, no silêncio do dia, vendo o barulho da vida. A vida faz muito barulho. É chata, às vezes rude, outras surpreendente. Procura e achas. Leva contigo aquilo que quiseres, mas deixa para trás aquilo que te faz doente. Ocupa-te do que te faz bem. Beijos.

Horizonte

20.06.18, Alice Alfazema
  Ilustração Evgenia Gapchinska       O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte — Os beijos merecidos da Verdade.          Fernando Pessoa