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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Poiso

Dia Mundial da Liberdade

23
Jan21

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Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam e movimentam-se
Deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
Quando o Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração
 
 
Poema de Ruy Belo, in “Homem de Palavra(s)”

Do outro lado

11
Nov20

 

Podemos esgotar a vida a tentar fazer aquilo que não sabemos, a ultrapassar os medos e as inseguranças. Por vezes com tantas tentativas falhadas que nos levam à exaustão, ao desalento e até à desistência do objectivo. Fazêmo-lo porque à luz da sociedade é bastante valorizado sermos insistentes naquilo que não somos capazes. Então como num martírio lá vamos nós dia a dia, passo a passo, esperando que chegue a ocasião de sermos elogiados pelo que conseguimos. Raramente começamos pelo outro lado, por aquela coisa que já sabemos, aumentando lentamente esse saber, chegando à plenitude de que não há mais nada por aprender e passar para outro assunto com outra confiança, com outro estado de espírito, com outra vontade. Apostando primeiro naquilo que nos deixa feliz, para que o resto seja apenas mais uma mera coincidência.