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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Sopro

21.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Magaly Ohika   Atente os seus ouvidos Mais às coisas que aos Seres À voz do Fogo, fique atento, Ouça a voz das Águas. Ouça através do Vento A Savana a soluçar É o Sopro dos ancestrais Os que faleceram jamais se foram Eles estão na Sombra que se ilumina E na sombra que se enegrece. Os Mortos não estão sob a Terra Eles estão na Árvore que freme, Estão na Madeira que geme, Estão na Água que dorme, Estão na Cabana, estão na Massa Os mortos não estão mortos. (...)

Antes,agora,depois...

12.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração Liese Chavez   Durante um tempo fui especialista em fazer, mal-me-quer/bem-me-quer, fazia-o com as flores da camomila, quando queria saber de alguma coisa, apanhava uma e zás, depois deixei de ter interesse, porque já conhecia de cor o resultado, percebi que tudo se resume a sequências, por vezes à excepção, mas na realidade a verdade depende das nossas escolhas e do nosso esforço.    As nossas escolhas, num determinado tempo não dependem de nós, no entanto a (...)

Entrelaço

09.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração Alexi Torres   Entrelaço os anos, os dias e as noites, as horas e os minutos, os choros e os risos, entrelaço agora a juventude e a velhice, o amor, a paciência e o silêncio, entrelaço os meus dedos nos teus, como raízes em busca de água. 

Depois

03.10.19, Alice Alfazema
    Convencemo-nos que a vida será melhor depois... depois de acabar os estudos, depois de arranjar trabalho, depois de casarmos, depois de termos um filho, depois de termos outro filho. Então, sentimo-nos frustrados porque os nossos filhos ainda não são suficientemente crescidos e julgamos que seremos mais felizes quando crescerem e deixarem de ser crianças.           Depois, desesperamos porque são adolescentes,insuportáveis. Pensamos: "Seremos mais felizes quando esta (...)

Loendros

01.08.19, Alice Alfazema
  Se eu chegar a ser dum Outro mas de mim não me perdendo  e esse Outro todos os outros que comigo estão vivendo não só homens mas também os animais e as plantas  e os minerais ou os ares e as estrelas tais e tantas terei decerto cumprido meu destino e com que sorte para gozar de uma vida já ressurecta da morte.       Agostinho da Silva, 1989

A minha família é uma animação

24.07.19, Alice Alfazema
Ilustração Gina Matarazzo   Estava um dia ameno de Verão, era hora de almoço e comíamos calmamente, sem pressas, porque as férias se querem vagarosas.    - Ó tia, quando eu morrer quero ser cremada, mas antes têm de pôr-me dentro da barriga um saco cheio de milho pipocas. - Boa ideia! Quando saíres do forno fazem uma festa, mas o melhor é porem também um saco de açúcar... - Pois é, assim ficam caramelizadas!  

Déjà vu

22.07.19, Alice Alfazema
    Vejo-me a saborear o café tantas vezes com o mesmo sabor. Uma e outra vez. Em diversas versões. A por a manteiga no pão, a rir da mesma forma, com vontade. A empatia pelos outros e a vontade de ajudar. O espírito crítico e a ousadia de querer ser diferente. É como se a minha história já fosse contada e vivida por outros seres, dentro da mesma linha, do mesmo sangue, em outras condições. Como se nos tivéssemos empurrado umas às outras de vida para vida.      E aqui (...)