Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Simplicidade

21.02.20, Alice Alfazema
Ilustração Jungho Lee     alguém devia separar a inquietação do tempo ouvir os cânticos não humanos da terra serenata de peito aberto aceito o abrandamento da respiração e o vento protector engrandece a ideia de raiz a simplicidade chama-se pedra-folhagem-animal e voa a verdade tem nome de pássaro azul com alma tu e eu em prece murmurada de escuta tu e eu e as primeiras águas tu e eu em construção ainda que não haja tempo para edificar a árvore do mundo     Poema (...)

Fotógrafos de Natureza - Daniel Řeřicha

28.08.19, Alice Alfazema
  Como um vento na floresta, Minha emoção não tem fim. Nada sou, nada me resta. Não sei quem sou para mim.       E como entre os arvoredos Há grandes sons de folhagem, Também agito segredos No fundo da minha imagem.     E o grande ruído do vento Que as folhas cobrem de som Despe-me do pensamento: Sou ninguém, temo ser bom.     Fotografias Daniel Řeřicha      Poema de Fernando Pessoa 

A escada para o arco-íris

25.11.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Sarolta Szulyovsky      Nascida na ternura ou na tristeza,Límpida gota dos orvalhos da alma,Tu, lágrima saudosa, muda e calma,Que força enorme tens nessa fraqueza?  Possuis mais que o poder da realeza,Quando és filha da dor que o pranto acalma,E, qual gota de orvalho em verde palma,À pálpebra chorosa ficas presa! Estrela da saudade, flor de neve,Que o vento da tristeza faz brotar,Amo o teu brilho nessa luz tão breve Do breve globo teu… imenso marCujos (...)

Bom dia :-)

19.11.17, Alice Alfazema
  Enfunando os papos,  Saem da penumbra,  Aos pulos, os sapos.  A luz os deslumbra.  Em ronco que aterra,  Berra o sapo-boi:  - "Meu pai foi à guerra!"  - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".  O sapo-tanoeiro,  Parnasiano aguado,  Diz: - "Meu cancioneiro É bem martelado.        Vede como primo  Em comer os hiatos!  Que arte! E nunca rimo  Os termos cognatos.  O meu verso é bom  Frumento sem joio.  Faço rimas com  Consoantes de apoio.  Vai por (...)

Bom dia!

26.08.16, Alice Alfazema
  Ilustração Lime   Subitamente - que visão de artista! - Se eu transformasse os simples vegetais, À luz do Sol, o intenso colorista, Num ser humano que se mova e exista Cheio de belas proporções carnais?!   E eu recompunha, por anatomia, Um novo corpo orgânico, ao bocados. Achava os tons e as formas. Descobria Uma cabeça numa melancia, E nuns repolhos seios injetados.     Cesário Verde   Alice Alfazema  

Carantonha

15.01.16, Alice Alfazema
    Quando eu era uma miúda gostava imenso de procurar caras e carantonhas nos troncos das árvores. Continuo na mesma, tenho é menos tempo para me dedicar a esse passatempo. Adoro velhas árvores, dar-lhes abraços, refrescar-me à sua sombra, sentir nas minhas mãos os nódulos rugosos daqueles troncos resistentes a tantas intempéries. Gosto dos seus (...)

O meu tesouro

04.10.14, Alice Alfazema
Hoje sentei-me à beirinha do Atlântico. As suas ondas rasteirinhas vieram ter comigo, fizeram-me festas de sal. Estive assim, por muito tempo, contemplando e sentindo aquela imensa massa azul. Passaram cães e pessoas. Uma abelha pousou na minha toalha amarela, enquanto eu lia. No meu livro uma aranha minúscula poisou entre as páginas, vinda sei lá de onde, sei que conseguem atravessar oceanos, levadas pelo vento, seres minorquinhas que já viveram uma aventura tão grande. A praia (...)

Não fales: eu entendo...

13.11.10, Alice Alfazema
 Fotografia Rouxinol de Pomares    - Mas aqui! Olha para aquele castanheiro. Há três semanas que cada manhã o vejo, e sempre me parece outro. A sombra, o sol, o vento, as nuvens, a chuva, incessantemente lhe compõem uma expressão diversa e nova, sempre interessante. Nunca a sua frequentação me poderia fartar... Eu murmurei: - É pena que não converse! O meu principe recuou, com olhares chamejantes, de apostolo: - Como que não conversa? Mas é justamente um conversador sublime!     (...)