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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Aguarela

28
Ago21

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Tenho para mim que pintar em aguarela é pintura de Verão e de dias com calor, talvez pela técnica, cuja essência está relacionada com a água e o tempo de secagem, sei lá, faz-me lembrar sempre os dias preguiçosos, gelados e refrescos.

Transmite-me a vivacidade com que vivemos os momentos únicos da vida: o amor, o nascimento de um filho, um abraço sentido, a família, as férias, os jantares com amigos, as risadas de ficar a doer a barriga, coisas boas que por vezes ficam esbatidas pelo tempo, às vezes pelas lágrimas, como quem junta água à tinta levando o pincel ao papel, a mistura da tinta com a água que pode resultar em cores inesperadas.

A aguarela parece-me de uma simplicidade arrebatadora de sentidos,  não há cor branca, porque branca é a base do papel, assim quando a pincelada encontra o papel e a cor é aí colocada, não mais é possível corrigir o que foi feito. Por isso, a aguarela é um trabalho de execução rápida, como rápida é a vida, apesar de por vezes não o parecer, assim  o acabamento definitivo só depende do tempo e da secagem da água. Tal como nós, que somos essencialmente água. Somos aguarela. 

 

A ilustração é de Blanca Álvarez, podem ver mais aqui, e quem sabe até se iniciarem num curso. Aventurem-se. 

 

Passeio em família

25
Ago21

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Você não precisa ser bom.
Você não precisa andar de joelhos, arrependido,
milhares de milhas pelo deserto.
Você precisa apenas permitir ao animal suave do seu corpo
amar o que ama.
Fale-me sobre desespero, os seus, e eu falarei a você os meus.
Enquanto isso a vida segue.
Enquanto isso o sol e os cristais límpidos da chuva
atravessam as paisagens, movendo-se
sobre pradarias e árvores profundas,
montanhas e rios.
Enquanto isso, alto no ar azul claro, os gansos selvagens
voltam para casa outra vez.
Quem quer que você seja, não importa quão solitário,
o mundo se oferece à sua imaginação,
chama você como aos gansos selvagens, bruto e excitante –
de novo e sempre anunciando o seu lugar
na família das coisas.

 

 

Poema de Mary Oliver, tradução Yasmin Nigri

 

Perseidas - 2021

Chuva de estrelas!

23
Ago21

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Fotografia de Pedro Rego

 

A chuva de meteoros das Perseidas deste ano ocorreu entre 17 de julho e 24 de agosto,  sendo que o seu pico se deu a 12 de agosto entre as 20h e as 23h com 110 meteoros por hora, as Perseidas ocorrem durante o Verão no hemisfério norte, dando ao céu aquele sentido de festa, que dá para pensar se haverá bailarico lá em cima? Dançará Júpiter na constelação de Aquário, com Saturno a seu lado na constelação de Capricórnio? Cá em baixo deixo-vos com as palavras do José:

Do céu caíam lágrimas                             

Na noite estrelada

Os teus olhos eram rosas perfumadas                                 

Na noite iluminada, tu eras a estrela

Nos teus rubros lábios rolavam cerejas

Atraentes, deliciosas, desejadas

Quanto mais as beijava             

Mais crescia o desejo

Que encantadores beijos!

Na frescura da ardente boca                                                         

A saciarem o fogo da Lua-cheia

Mas, quanto mais te beijava     

Com mais fome ficava

Nada conseguia apagar aquele calor                         ✴

Nem a noite fria, nem a água que, no rio, corria

Foi a noite mais curta!

Quando o sol nasceu                            

Ainda da tua boca

Água doce corria

Por que razão é que não há

Chuva de estrelas, todos os dias?                       

Para dormirmos nos beijos um do outro

 Até o sol nos acordar

Para começarmos, de novo, a namorar

E passar o dia no doce teu olhar                   ✴   

Até a lua nos voltar a abraçar.

                             

O poema é do José Silva Costa

 

Mãe, tirei esta foto para o teu blog!

O final do dia de ontem

20
Ago21

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O mar beijando a areia
O céu e a lua cheia
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu
E a lua cheia
Que prateia os cabelos do meu bem
Que olha o mar beijando a areia
E uma estrelinha solta no céu
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu e a lua cheia
um beijo meu 

 

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen 

 

Para ouvir: