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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

"Justa é a forma do nosso corpo"

28.07.20, Alice Alfazema
  Ilustração Jessica Watts     Os dias de verão vastos como um reino Cintilantes de areia e maré lisa Os quartos apuram seu fresco de penumbra Irmão do lírio e da concha é nosso corpo Tempo é de repouso e festa O instante é completo como um fruto Irmão do universo é nosso corpo O destino torna-se próximo e legível Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem Como se em tudo aflorasse eternidade Justa é a (...)

A última página

19.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Irene Blasco   Sentei-me e quando me levantei era outra. Li e quando acabei de ler as minhas ideias ficaram mais fluidas. Sorri e aliviei a pressão do meu não sorriso. Naquele pedaço de tempo viajou por onde queria uma mulher sentada, parecia que não saía do lugar, enquanto folheava as páginas daquele livro que continha grãos de areia da sua praia favorita, nalgumas folhas haviam manchas de sal, daquele mar especial, podia ter posto um marcador de madre-pérola, mas (...)

São João

24.06.20, Alice Alfazema
  Ó meu rico São João, que andas aí em cima desconfinado vem cá abaixo acudir à malta  que está tudo descompensado   ...   Um São João sem gente Numa rua tão abandonada Diz-me assim de repente Onde posso comer sardinha assada   ...   Por não poderem ir ao Mercado Sair de casa é muito arriscado!   ...   Ó Menina ponha a máscara Se quiser sair desse confinamento deixa o teu olhar bailar até encontrar o enamoramento   ...   Encontrar o enamoramento! Com tanto confinamento (...)

Olhar

Verão 2020

21.06.20, Alice Alfazema
  Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Pai, ensina-me a olhar!   (...)