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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

#diariodagratidao 13-06-2019

13.06.19, Alice Alfazema
    Ilustração  Mutsumi   Cheguei a casa quando anoitecia. Ainda quente, o vento empurrava-me o vestido. Por um instante senti-me ave levada por brisas, plumas e enigmas. A aragem entontecia-me de prazer. Queria ficar nos braços daquele vento. Imaginei que o anoitecer me pertencia. De pé, senti o teu corpo. O meu, aberto e solto, deixou-se ir. Sou apenas uma guardadora de ventos.     Poema de Lília Tavares

Dias de vento

24.03.15, Alice Alfazema
Os dias de vento fazem-me lembrar do tango. A dança das folhas, a fúria e a pausa repentina. O deixar ir. O vir. O ficar.   ...um dia vão descobrir que viver é um treino e uma aprendizagem… É um exercício de meter no possível os nossos sonhos, os nossos desejos e as nossas ambições mas sem abdicar deles.(…) E quando a gente faz essa descoberta vai ainda mais longe: faz por tornar os nossos sonhos possíveis. E o que é possível, sempre, é o afecto que damos aos outros… in

Uma pergunta por dia: As palavras podem ser equiparadas ao vento?

15.11.14, Alice Alfazema
Ilustração Zara Picken   Estou vivo mas não tenho corpo Por isso é que não tenho forma Peso eu também não tenho Não tenho cor Quando sou fraco Me chamo brisa E se assobio Isso é comum Quando sou forte Me chamo vento Quando sou cheiro Me chamo pum!   Vinicius de Moraes    Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.   Alice Alfazema  

Maio dia 10

10.05.14, Alice Alfazema
  ♥   Sentei-me aos pés do grande Eucalipto, e fiquei a apreciar o brilho mágico que o Sol transmitia ao Rio. O Vento soprava leve. Manhã gostosa. Ao longe uma aula de dança, a música chegava-me alegre aos ouvidos. Converso, não somos capazes de estar calados, é genético. O meu filho diz-me que o dinheiro e o tempo não vão para o caixão. Penso. Olho de novo o (...)

Isto somos nós

13.03.11, Alice Alfazema
       Pintura de João Barcelos     O pó somos nós. O vento é a nossa vida. Deu o vento, levantou-se o pó: parou o vento, caiu. Deu o vento, eis o pó levantado: estes são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído: estes são os mortos.       Pe. António Vieira

Aposta

04.11.10, Alice Alfazema
O Vento Norte discutia com o Sol acerca de qual deles era o mais forte. Como nenhum dos dois queria reconhecer a superioridade do outro, resolveram submeter o seu poder a uma prova: o primeiro que conseguisse tirar o casaco de um caminhante seria o vencedor. O Vento Norte começou a soprar furiosamente fazendo-se acompanhar de violentas chuvadas, mas não conseguiu arrancar o casaco ao homem. Apenas fez que se abrigasse ainda com mais força, segurando o casaco com ambas as mãos. Chegou (...)

Numa sexta-feira 13...

14.08.10, Alice Alfazema
Hoje sexta-feira 13, fim de noite inesquecível... Pelas ruas da vila tocou-se música, bebeu-se moscatel e houve alegria no ar. Aprendi com aqueles jovens que trazem o gosto da tradição, que para rezar não é preciso repetir palavras.   A música é uma forma de oração, o esforço de um trabalho também. Deus não se visualiza, Deus sente-se, cheira-se e saboreia-se. Deus não é forma de vida, Deus é vida é cor, é som, é tacto, é conseguir vislumbrar no sabor de uma fruta (...)