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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Inquietação

21
Nov22

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Há muito tempo que não aprecio esta paisagem com o sentimento de tranquilidade em mim, é-me impossível esquecer a actualidade, a guerra na Ucrânia, uma mortandade pavorosa que cresce a cada dia, o frio gélido que se aproxima a passos galopantes, tanto sofrimento em causa da Liberdade. Foi sempre assim, a necessidade de sofrimento para uma qualquer libertação, até as histórias de amor são verdadeiras odes ao sofrimento, como se não houvesse amores felizes. Nada disto é tranquilo. Dificilmente vamos passar deste patamar. Escorrem as regras, através das garras que mais fincam, sejam elas do poder, do dinheiro, da ignorância, não importa onde, não importa quem, vão-se aos poucos os que guardavam as memórias de um mundo real - como quem guarda tesouros para repartir - daqui a nada pouco será contado, as vozes calam-se à medida em que se sentem ser inúteis, diria até, ridículas. Todos os dias morremos um pouco, menos válidos que antes.

 

povos

03
Nov22

 

 Ilustração  Siiri Väisänen

Acho muito significativo, sob esse ponto de vista, que Husak tenha mandado expulsar das universidades e dos institutos científicos cento e quarenta e cinco historiadores tchecos. (Dizem que, para cada historiador, misteriosamente, como num conto de fadas, um novo monumento de Lenine surgiu em alguma parte da Boémia.) Em 1971, um desses historiadores, Milan Hübl, com seus óculos de lentes extraordinariamente grossas, estava no meu apartamento da Rua Bartolomejska. Olhávamos pela janela as torres do Hradeany e estávamos tristes.

- Para liquidar os povos- dizia Hübl-, começa-se por lhes tirar a memória. Destroem-se seus livros, sua cultura, sua história. E uma pessoa lhes escreve outros livros, lhes dá uma outra cultura e lhes inventa uma outra história. Em seguida, o povo começa lentamente a esquecer o que é e o que era. O mundo à sua volta o esquece ainda mais depressa.

Milan Kundera, in O livro do riso e do esquecimento

 

 

 

O povo russo precisa da coragem dos ucranianos

30
Set22

Estamos vivendo um começo de outono medonho, perante os holofotes mundiais o mágico assassino em massa anexa agora quatro regiões da Ucrânia, que segundo os filhos da puta foram considerados através de referendo realizados em clima de guerra e sem grande parte da população residente, é assim desta forma que Putin e seus capachos, ou talvez seja ele o capacho, sim porque isto de poder tem muito que se lhe diga, desenvolvem a democracia da mãe Rússia, tenho pena daquele povo, por ser tão obediente, tomara que eles tivessem metade da coragem dos ucranianos e poderiam ter acesso a um país melhor, líderes assim desprezíveis escolhem viver entre gente aprisionada, porque de outra forma nunca ninguém lhes iria dar valor. A decisão está apenas no povo e naquilo que realmente querem.