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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

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25.03.21, Alice Alfazema
  Deus pede hoje estrita conta do meu tempo. E eu vou, do meu tempo dar-lhe conta. Mas como dar, sem tempo, tanta conta. Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? Para ter minha conta feita a tempo O tempo me foi dado e não fiz conta. Não quis, tendo tempo fazer conta, Hoje quero fazer conta e não há tempo. Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta, Não gasteis vosso tempo em passa-tempo. Cuidai, enquanto é tempo em vossa conta. Pois aqueles que sem conta gastam tempo, Quando o (...)

A arquitetura

02.11.20, Alice Alfazema
  Ilustração Elia Barbieri   A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e teto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas-contra; por onde, livres: ar luz razão certa. Até que, tantos livres o amedrontando, renegou dar a viver no claro e aberto. Onde (...)

Gratidão por desconhecidos

18.09.20, Alice Alfazema
Nesta imagem serena mora um homem que vê passar o tempo, e que sabe que só ele leva as mágoas para longe. E sabe  também que o tempo tem a capacidade de unir e separar, de ser cruel e bondoso. Todas as vidas que se cruzaram e separaram enquanto escrevi este paragrafo? Não sei, ninguém sabe, apenas o tempo, esse que passa e não o sentes. Dedicar a nossa vida aos outros é uma tarefa árdua e longa, que exige uma dádiva constante. É maravilhoso vermos  que existem pessoas que (...)

A divisão do tempo e das imagens

25.08.20, Alice Alfazema
  Não te chamo para te conhecerEu quero abrir os braços e sentir-teComo a vela de um barco sente o vento    Não te chamo para te conhecerConheço tudo à força de não ser      Peço-te que venhas e me dêsUm pouco de ti mesmo onde eu habite     Poema de Sophia de Mello Breyner Andersen , in  No Tempo Dividido   

À pesca

21.07.20, Alice Alfazema
  Ilustração  Laura Lhuillier     Enquanto eu fiquei alegre, permaneceram um bule azul com um descascado no bico, uma garrafa de pimenta pelo meio, um latido e um céu limpidíssimo com recém-feitas estrelas. Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios, constituindo o mundo pra mim, anteparo para o que foi um acometimento: súbito é bom ter um corpo pra rir e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser.     Poema de Adélia Prado   O que (...)