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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O único tempo que está vivo

17.06.21, Alice Alfazema
Ilustração Irene Blasco A hora para comer morangos é sempre agora. O passado já foi. O futuro ainda não chegou. Passado e futuro são tempos que não fazem parte da nossa vida. O único tempo que está vivo e nos pertence é o agora. Então, é nesse agora que estamos vivendo que devemos comer o nosso primeiro morango. Rubem Alves, in Desfiz 75 anos  

A vida passa lá fora

09.05.21, Alice Alfazema
A vida passa lá fora, como se nada fosse, e sinto que o meu tempo foi-me roubado nestes últimos meses, o que não fiz e queria muito fazer, se a minha vida acabasse agora estaria incompleta, provavelmente ficará sempre incompleta, mas quero que seja o mais preenchida na medida do possível. Quando somos jovens pensamos que temos todo o tempo do mundo, depois o tempo transforma-se num túnel, cada dia mais afunilado, e aí cada dia passa a valer muito mais que as vinte e quatro horas (...)

25

25.03.21, Alice Alfazema
  Deus pede hoje estrita conta do meu tempo. E eu vou, do meu tempo dar-lhe conta. Mas como dar, sem tempo, tanta conta. Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? Para ter minha conta feita a tempo O tempo me foi dado e não fiz conta. Não quis, tendo tempo fazer conta, Hoje quero fazer conta e não há tempo. Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta, Não gasteis vosso tempo em passa-tempo. Cuidai, enquanto é tempo em vossa conta. Pois aqueles que sem conta gastam tempo, Quando o (...)

A arquitetura

02.11.20, Alice Alfazema
  Ilustração Elia Barbieri   A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e teto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas-contra; por onde, livres: ar luz razão certa. Até que, tantos livres o amedrontando, renegou dar a viver no claro e aberto. Onde (...)

Gratidão por desconhecidos

18.09.20, Alice Alfazema
Nesta imagem serena mora um homem que vê passar o tempo, e que sabe que só ele leva as mágoas para longe. E sabe  também que o tempo tem a capacidade de unir e separar, de ser cruel e bondoso. Todas as vidas que se cruzaram e separaram enquanto escrevi este paragrafo? Não sei, ninguém sabe, apenas o tempo, esse que passa e não o sentes. Dedicar a nossa vida aos outros é uma tarefa árdua e longa, que exige uma dádiva constante. É maravilhoso vermos  que existem pessoas que (...)