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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A arquitetura

02.11.20, Alice Alfazema
  Ilustração Elia Barbieri   A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e teto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas-contra; por onde, livres: ar luz razão certa. Até que, tantos livres o amedrontando, renegou dar a viver no claro e aberto. Onde (...)

Gratidão por desconhecidos

18.09.20, Alice Alfazema
Nesta imagem serena mora um homem que vê passar o tempo, e que sabe que só ele leva as mágoas para longe. E sabe  também que o tempo tem a capacidade de unir e separar, de ser cruel e bondoso. Todas as vidas que se cruzaram e separaram enquanto escrevi este paragrafo? Não sei, ninguém sabe, apenas o tempo, esse que passa e não o sentes. Dedicar a nossa vida aos outros é uma tarefa árdua e longa, que exige uma dádiva constante. É maravilhoso vermos  que existem pessoas que (...)

A divisão do tempo e das imagens

25.08.20, Alice Alfazema
  Não te chamo para te conhecerEu quero abrir os braços e sentir-teComo a vela de um barco sente o vento    Não te chamo para te conhecerConheço tudo à força de não ser      Peço-te que venhas e me dêsUm pouco de ti mesmo onde eu habite     Poema de Sophia de Mello Breyner Andersen , in  No Tempo Dividido   

À pesca

21.07.20, Alice Alfazema
  Ilustração  Laura Lhuillier     Enquanto eu fiquei alegre, permaneceram um bule azul com um descascado no bico, uma garrafa de pimenta pelo meio, um latido e um céu limpidíssimo com recém-feitas estrelas. Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios, constituindo o mundo pra mim, anteparo para o que foi um acometimento: súbito é bom ter um corpo pra rir e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser.     Poema de Adélia Prado   O que (...)

Diário dos meus pensamentos (50)

Marcas

08.05.20, Alice Alfazema
Ilustração Vrigit Smith    Neste diário não existe o dia 49, porque também há os dias de "algum dia" ou  de" qualquer dia", são aqueles dias que não têm lugar no calendário, mas que pensamos neles pelas mais diversas razões, são sempre dias de futuro, mas que ficam muitas vezes no passado, quer porque deixámos de ter tempo, coragem,  ou oportunidade de vivê-los. É bom termos a consciência que em cada dia temos um tempo novo, sempre por estrear mesmo que pareça igual. (...)