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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Sem expetativa

Árvore de Natal

19
Dez22

equilibrio.jpg Ilustração Saoud Abdallah

Não espere nada. Viva frugalmente

Na surpresa.

Torne-se um estranho

Para a necessidade de pena

Ou, se a compaixão vier livremente

Dada

Tome apenas o suficiente

Curta parada na urgência para pleitear

Então purgue-se da necessidade.

 
 

Deseje nada largamente

Em seu próprio pequeno coração

Ou maior que uma estrela;

Cultive um selvagem desapontamento

Com carinho insensível e frio

Faça uma cobertura

Para que sua alma.

Descubra a razão pela qual

Tão pequena humana figura

Existe em todos

Tanto medo insensato

Mas, não espere nada. Viva frugalmente

Na surpresa.

 
 
 

Poema Alice Walker, in Viva a Poesia

quando se juntam palavras soltas

23
Mar22

*

*¨¨*vida*

**amor*¨¨**

**justiça**¨¨*amizade**

**carinho*¨¨*tempestade*¨¨*dia**verde*

***¨¨**união***¨¨**azul***¨¨***liberdade**aves*¨¨*noite***luz**

******calor**¨¨¨¨***mar***humor****estrelas***¨¨****árvores**¨¨**sonho*****

*música***rio**¨¨**terra**¨¨**flores*¨¨*fauna******¨¨*****pintura*********

***¨¨**casa****¨¨**futuro****¨¨¨****família**¨¨***reencontro****¨¨*festa**¨¨* 

****¨¨***saúde*****¨¨****amigos**¨¨**saudade***¨¨**teatro****¨¨****

 

Num fim de tarde a Vida encontrou-se com o Amor, há muito que não se viam, pois a Justiça  desfez a Amizade que havia entre os dois, levou-lhes o Carinho, transformou os seus pensamentos em Tempestade, a partir desse Dia o Verde perdeu o viço. Essa União era Forte parecia imensa como o Azul do céu, trazia consigo a Liberdade que ergue as Aves num voo pleno. Depois fez-se Noite e apagou-se a Luz que os ligava, morreu o Calor e o Mar ficou revolto, nem o Humor, nem as Estrelas, nem as Árvores conseguiram dar corpo ao Sonho, foi a Música que suavemente atravessou o Rio até à Terra que havia na outra margem, nesse sítio onde as Flores e a Fauna pareciam um Pintura, havia ao longe uma Casa pintada de Futuro onde morava uma Família que preparava o Reencontro e a Festa, vestiram-se de Saúde esperando os Amigos, a Saudade enchia o espaço, devagar o pano cobriu o palco e as palmas ecoaram no Teatro.

Chá de violetas (3)

José Silva Costa

25
Abr20

chá de violetas.jpg

 

Hoje é um dia único, é dia 25 de Abril e estamos num Estado de Emergência, por causa de um vírus que nos obriga a estar em casa e a festejarmos trancados o dia dedicado à Liberdade, hoje este chá de violetas, é servido ao José Silva Costa, que veio visitar-me e trouxe-me um presente muito especial, como sabem eu venero a Serra da Arrábida, que tem recantos mágicos, cheiros inesquecíveis, e memórias que jamais voltarei a viver, esta será mais uma recordação que irei juntar às muitas que tenho da Serra.  O José calçou as botas cardadas e inesperadamente voltou também ele a este lugar mágico, trazendo consigo as suas memórias e o seu testemunho em forma de fado, sobre um pedaço da sua vida, que fez parte da sua mocidade, e transformou para sempre a sua vida e direi eu -  os seus sonhos. Um cravo também para este homens que viveram a Guerra do Ultramar, a maioria sem saber ao que iam. 

 

Foi  a última etapa da preparação para a Guerra Colonial, em 1969, antes de ir para Angola.

 

IMG_8343.JPG

 

Fado
Foi na bela Serra da Arrábida, que me coube a conclusão
Da dura preparação, para a guerra, onde não queria a minha inclusão
Nela, acampamos por umas semanas
Lá no cimo, por cima do Portinho da Arrábida
Recusei-me a nascer antes da guerra acabar
Acabaram por, para a guerra, me mandar
Contra tudo o que fiz, para não embarcar
Numa manhã de Julho, domingo, quando as pessoas, à praia, estavam a chegar
Fizeram-nos, da Praia dos Galapos, a serra trepar, na vertical
Que Bela Serra, a da Arrábida, e a sua linda Cidade de Setúbal!
Onde na sua bela avenida, nos fizeram desfilar
Para recebermos os aplausos da despedida
De tão nobre povo que, de braços abertos, nos acolheu
Foi um ato muito triste, doloroso e honroso
Por ser, por irmos, para a guerra.

Parafrasear Bocage
Bocage, grande Bocage
O meu fado não é semelhante ao teu
Quando os cotejo
Mas, igual causa nos fez perder o Tejo.

 

José Silva Costa

 

 

Obrigada José, gostei imenso de tê-lo por cá e das palavras com que me presenteou. Esta imagem deixa antever Galapos e Galapinhos, é logo por detrás da árvore. 

 

Vizinho do blogue:

Cheia

 

Surpresa

22
Set19

florest.jpg

 

 

Entre o terror e a noite caminhei
Não em redor das coisas mas subindo
Através do calor das suas veias
Não em redor das coisas mas morrendo
Transfigurada em tudo quanto amei.

Entre o luar e a sombra caminhei:
Era ali a minha alma, cada flor
- cega, secreta e doce como estrelas -
Quando a tocava nela me tornei.

cervo.gif

 

E as árvores abriram os seus ramos
Os seus ramos enormes e convexos
E no estranho brilhar dos seus reflexos
Oscilavam sinais, quebrados ecos
Que no silêncio fantástico beijei.

 

 

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, as ilustrações são de Anna Florsdefum