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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia Internacional da Biodiversidade

Pradarias marinhas do Sado

22
Mai20

O mar e os rios, não são apenas manchas de água, neles se encontram uma diversidade enorme de vida, muita da qual ainda desconhecemos, é importante preservarmos agora para o futuro. Será que as pradarias marinhas do Sado vão continuar assim no futuro? O que tem sido feito pelos organismos Locais e Centrais para que assim continue? O Ministério do Ambiente prefere contentores de lixo no Porto de Setúbal a manter esta biodiversidade? As enormes dragagens no rio Sado interessam e beneficiam que grupos económicos? Qual a melhor riqueza, a que promove a diversidade e que tem futuro, ou aquela que destrói e serve apenas alguns e ainda se limita no tempo?

 

 

As pradarias de ervas marinhas criam um habitat estruturante que é fonte de alimento, refúgio e berçário para muitos outros organismos marinhos. Assim, dentro das pradarias a abundância e diversidade da fauna é maior que nas zonas arenosas adjacentes.

Alguns animais, como o choco, as raias, e as lesmas-do-mar usam as pradarias como maternidade e depositam aí os seus ovos. Há outros animais que se alimentam diretamente das plantas por herbivoria: como os ouriços-do-mar, peixes (ex. salemas) e pequenos moluscos.

São ainda essenciais para a conservação de espécies carismáticas e ameaçadas, como os cavalos-marinhos, para além suportarem a pesca local.

 

As fotografias são de Ocean Alive

O país que valoriza o f

favores, facilidades, futilidades, fisco, fraude...

04
Fev20

 

 

Portugal é um país de facilidades e de favores, de futilidades bacocas. Fiquei a saber por estes dias, que somos o contentor de lixo da Europa, que "os aterros de Azambuja (Ribatejo) e de Ota (Alenquer), no distrito de Lisboa, vão receber 79 mil toneladas de resíduos do estrangeiro até finais de Janeiro de 2021, conforme acordos celebrados pelo Estado português com outros países", e que o preço por tonelada de lixo custa “cerca de 11 euros, quando esse valor se situa entre os 80 e os 100 euros na maioria dos países membros”, se olharmos para a factura da água da nossa casa, podemos verificar que pagamos muito mais pelo nosso lixo doméstico, do que quem para cá vem se aproveitar deste negócio. Sendo que muito do nosso lixo doméstico já é reciclado pelos próprios, o que reduz ainda mais aquilo que vai para o aterro.

 

O que vai para estes aterros fica a céu aberto, sendo um manancial para as aves e provavelmente para outros animais, para quem mora perto fica o cheiro nauseabundo que têm todos os dias. A população da Azambuja, no Ribatejo reclama dizendo que “Começámos a assistir ao crescimento de uma montanha gigante de lixo. São barcos que chegam a Portugal, vindos de Itália, do Reino Unido, da Holanda, com dezenas de contentores”, queixa-se Margarida Dotti, relatando que o lixo é descarregado “todas as noites” mesmo “debaixo das janelas” das habitações. A Câmara Municipal da Azambuja desresponsabiliza-se dizendo que o aterro  foi autorizado há anos pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e, portanto, são eles os responsáveis, não somos nós na Câmara Municipal”. Como chamam a isto desenvolvimento regional, compreendo finalmente porque escavam o Sado, e assassinam o seu estuário e o seu já frágil ecossistema, para que haja um mega porto de contentores, muito lixo há-de chegar... o porto oceânico de Sines é a principal porta de entrada, recebendo 64%, seguido do porto de Setúbal, com 20%, e do porto de Figueira da Foz (15%).

 

Portugal recebeu em 2018 cerca de 331 mil toneladas de resíduos perigosos, das quais 220 mil foram para valorização e 111 mil para eliminação, sendo Itália e Malta os países que enviaram mais resíduos para tratamento. Os dados constam do relatório mais recente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sobre o Movimento Transfronteiriço de Resíduos, de 2018 (os dados de 2019 encontram-se em validação), que refere terem também entrado no país 2,2 milhões de toneladas de resíduos não perigosos naquele ano. Sabe-se ainda que em 2018 deram entrada 220 mil toneladas, relativas a 94 processos, significando um crescimento de 43% face ao ano de 2017. Para compor em 2018 a maioria das entradas de resíduos perigosos para eliminação (54%) destinaram-se diretamente para deposição em aterros, sendo a operação de tratamento físico-químico remetida para segunda posição. Como se pode ver este  é um processo de modernização do país e uma mais-valia para as novas gerações.  A APA diz que os resíduos perigosos entram no país tanto pelas fronteiras terrestres, por via rodoviária, como pelas fronteiras marítimas, sendo que em 2018 entraram principalmente via navio e, posteriormente, comboio e/ou camião até às instalações de tratamento respetivas. Este volume passou das cerca de 60 mil toneladas em 2017 para as 250 mil toneladas em 2019.

 

As perguntas que se fazem: porque temos que levar com o lixo dos outros? Haverá desresponsabilização das entidades quanto à saúde pública? Chama-se a isto desenvolvimento regional? Porque continuam a escavar o Rio Sado para que seja um porto de águas profundas, quando as suas características são na verdade o contrário? A quem interessa o negócio do lixo, sendo o preço da tonelada uma ninharia? Porque temos nos nossos aterros resíduos perigosos vindos de outros países, entre os quais: Reino Unido, Itália, Países Baixos, Gibraltar e França? Não serão estes países capazes de serem auto-suficientes? Ou fica mais barato por o lixo num contentor? 

 

Vamos ter Lisboa Capital Verde Europeia 2020, a Azambuja fica logo ali ao lado, possivelmente haverá um passadiço em madeira até ao aterro, para que se possa sentir o maravilhoso cheiro que a população tem e será criado um miradouro  onde os turistas vão desfrutar da vista, talvez até haja umas actividades interactivas, tais como sejam: esmagar um plástico, chafurdar nas lamas, ou fazer padlle na montanha. 

 

Já agora, podem também vir a Setúbal, porque isto aqui passou a ser um bairro da capital, contar as carcaças das gaivotas que têm aparecido nas praias e também as dos golfinhos, fazer mergulho ao pé da draga para que consigam ouvir a música dos motores como se fossem roazes e os seus cérebros se guiassem por sons, era bom também apreciarem onde são depositadas as areias retiradas do leito do rio, é num local mágico, que se chama Restinga, vulgo: maternidade, onde nasce muita espécie de vida marinha. Futuramente poderão vir a degustar peixe e moluscos em cama de metais pesados. Será uma iguaria divinal!

 

E é assim, a culpa é do f...

 

 

Ler mais em ZAP e A//Portugal.

 

 

 

 

A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, S.A. (APSS) é dona do Sado e dos seus recursos Naturais?

01
Dez19

O navio Libertas continua o seu périplo pela barra e estuário do Sado, fazendo as medições finais necessárias à intervenção das dragas.
Depois de sondar todo o canal de navegação, esteve nas últimas horas a cobrir por completo o local a que a APSS e a DGRM deram o nome de "polígono de TUPEM nº 30/01/2019" e que entendem ser o ideal para depositar 2,6 milhões de metros cúbicos de sedimento onde as análises do IPMA identificam contaminações de classe 1, 2 e 3 de componentes como o mercúrio, cádmio ou hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

 

Para compor o cenário de terror, estas análises do IPMA são apontadas por diferentes pareceres técnicos como sendo insuficientes e menosprezadoras do grau de contaminação e risco envolvidos, para além de não terem em conta os potenciais riscos da mistura destes componentes pela acção de dragagem.

 

Quem vive o Sado, e sobretudo quem vive do Sado, conhece esta zona por outro nome: a restinga de Tróia. Sabe que é ali que nasce muita da vida que torna o estuário do Sado tão especial. E também sabe que - como previsto no próprio Estudo de Impacte Ambiental - a deposição de dragados poderá causar impactes irreversíveis na regeneração das espécies que fazem da restinga a sua maternidade e que garantem a riqueza e qualidade do pescado da região, famoso além-fronteiras.

 

É esta irreversibilidade que tem causado tanta polémica, e motivou uma fortíssima oposição à deposição por parte da comunidade piscatória de Setúbal.
A esta revolta, a APSS respondeu à saciedade que não faria qualquer utilização da licença obtida “até que exista uma solução de consenso com os pescadores”, num gesto pretensamente magnânimo que só poderia nascer da mente tortuosa de quem se julga dono dos recursos naturais e da biodiversidade da região, e que deles pode servir-se como moeda de troca para avanço dos seus interesses.

 

SOS Sado

 

 

 

 

A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, S.A. (APSS) é uma sociedade anónima de capitais públicos, que tem por objeto a administração dos portos de Setúbal e Sesimbra, visando a sua exploração económica, conservação e desenvolvimento e abrangendo o exercício das competências e prerrogativas de autoridade portuária. Neste sentido, assegura o exercício das competências necessárias ao regular funcionamento dos portos nos seus múltiplos aspetos de ordem económica, financeira e patrimonial, de gestão de efetivos e de exploração portuária e ainda as atividades associadas. 

A APSS tem a missão de assegurar uma administração portuária próxima, intensa em termos relacionais, de todos os stakeholders.

Tomada de posse na Assembleia da República

25
Out19

No dia em que tomam posse os deputados eleitos na recente eleição legislativa, lembramos um assunto que tem ficado esquecido nas mesas de trabalho das comissões parlamentares e do plenário da Assembleia da República: Mais de 13 mil cidadãs e cidadãos continuam à espera de respostas acerca do perigo para o equilíbrio ecológico e a saúde e bem-estar públicos que as obras de dragagens previstas no rio Sado auguram.

 

A entrega em Janeiro da petição "Pela defesa da Reserva Natural do Estuário do Sado” à Assembleia da República suscitou a audição da primeira subscritora na Comissão Parlamentar do Ambiente em Março, tendo aí sido relevados os graves riscos da obra descritos no Estudo de Impacte Ambiental e considerados subavaliados pela Comissão de Avaliação do mesmo.


Foram ainda feitas revelações sobre a falta de transparência do processo e ausência de esclarecimentos e auscultação pública por parte da APSS, o evidente incumprimento de várias obrigações da Declaração de Impacte Ambiental do projecto e a falta de informação que justificasse o avançar do projecto.

 

Estas afirmações obtiveram concordância por parte das forças políticas presentes, sendo na altura solicitado à APSS o estudo económico da obra, que sabemos hoje não ter sido entregue à Agência Portuguesa do Ambiente para apreciação mas que foi mesmo assim assumido como factor “determinante” na aprovação do projecto.

 

O número de subscritores da petição obriga à sua discussão em plenário da Assembleia da República, tendo a mesma sido remetida para esse passo pela respectiva comissão parlamentar, mas até hoje não houve qualquer iniciativa nesse sentido. Agora que a APSS anuncia o início das dragagens, o silêncio de São Bento torna-se mais ensurdecedor que nunca.

 

Relembramos assim às novas deputadas e deputados a importância de ouvir as legítimas preocupações da população e garantir o correcto e atempado funcionamento dos mecanismos democráticos.


A causa da defesa do património natural português é demasiado importante para ficar perdida… Nos Passos Perdidos da Assembleia da República!

 

 

Petição em https://participacao.parlamento.pt/initiatives/432

 

SOS Sado