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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O pássaro solitário

14.09.19, Alice Alfazema
  Em certa árvore há um pássaro, que canta a alegria da vida. Nos galhos mais escondidos, lá ele pousa e repousa. Chega ao descer o crepúsculo e parte ao erguer-se a aurora.         Quem sabe que pássaro é esse que canta dentro de mim? Não tem forma nem cor, não tem contorno nem estofo. Pousa na sombra do amor e repousa no inatingível.     Kabir diz: Ó sadhu, meu irmão, profundo é este mistério. Deixa que os sábios descubram onde tal pássaro se esconde.       P (...)

Cada um sente o que é

25.04.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Kristina Swarner     Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre (…) Cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.       Arthur Schopenhauer       Alice Alfazema

O pintor da solidão

07.08.14, Alice Alfazema
Pintura Edward Hopper     Era uma solidão que outrora se levava nos dedos, como a chave do silencio. Uma solidão de infância sobre a qual se podia brincar, como sobre um tapete. Uma solidão que se podia ouvir, como quem olha para as arvores, onde há vento. Uma solidão que se podia ver, provar, sentir, pensar, sofrer, amar,     uma solidão como um corpo, fechado sobre a noção que temos de nós: como a noção que temos de nós.   Cecília Meireles    Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: Numa época de tanto conhecimento e de fácil acesso a uma "rede" de amigos, qual o porquê de haver tanta solidão?

23.12.13, Alice Alfazema
  Ilustração Jane Spakowsky   És importante para ti, porque é a ti que te sentes. És tudo para ti, porque para ti és o universo, E o próprio universo e os outros Satélites da tua subjectividade objectiva. És importante para ti porque só tu és importante para ti. E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?   Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido? Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces, Para (...)

Bonecas

22.02.12, Alice Alfazema
    Já me perdi no tempo. Meus cabelos ficaram brancos e baços. Já brinquei com bonecas. Dei gargalhadas cristalinas. O tempo passou, e eu azedei. Criei nata, como um leite esquecido, coalhei. E o bolor veio, entranhando-se-me nos  ossos. Quero inverter isto, quero que a pele se alise, que os músculos voltem à sua rigidez original. Não posso, o tempo não me deixa. (...)

Remédio para a solidão

25.10.11, Alice Alfazema
    Que minha solidão me sirva de companhia Que eu tenha a coragem de me enfrentar Que eu saiba ficar com o nada... E mesmo assim, me sinta como se estivesse plena de tudo.     Clarice Lispector                   Alice Alfazema

A flor é minha

01.08.11, Alice Alfazema
  Caminho do campo verde estrada depois de estrada. Cercas de flores, palmeiras, serra azul, água calada.   Eu ando sozinha no meio do vale. Mas a tarde é minha.   Meus pés vão pisando a terra que é a imagem da minha vida: tão vazia, mas tão bela, tão certa, mas tão perdida!   Eu ando sozinha por cima das pedras. Mas a flor é minha.   Os meus passos no caminho são como os (...)

Dinheiro

23.05.11, Alice Alfazema
"É, você está muito só.       Você está só, porque as pessoas que encontra pela rua estão correndo atrás de dinheiro, com medo de ficarem sós na velhice e não terem onde cair mortas e passarem os últimos dias de suas vidas na sarjeta, pedindo dinheiro, precisando de dinheiro, precisando de carinho, precisando de outras pessoas que as compreendam, que sejam solidárias com elas, que digam alguma coisa bonita para elas, alguma coisa que as animem, alguma coisa que as façam (...)