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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O Sol

15.06.20, Alice Alfazema
  Ilustração Elisa Chavarri   O Sol para uns é algo bonito, para outros não passa de algo comum a que nos habituamos a ver todos os dias, mesmo que esteja escondido, sabemos que está lá na mesma. Uns preferem ver o nascer do Sol, outros o pôr do Sol, eu prefiro o primeiro, gosto de expectativas, de começos, da manhã, da energia a crescer, de ver a Natureza numa azáfama para acolher um novo dia, os zumbidos das (...)

Diário dos meus pensamentos (34)

22.04.20, Alice Alfazema
  A  portaria cheirava a mofo. A escola estava vazia, não só há um afastamento social, como também há uma anulação das vozes, é como se as pessoas poupassem em palavras para gastarem em pensamentos. As nêsperas estão todas depenicadas pelos pássaros, as avencas levaram um desbaste valente, hão-de crescer, como crescem sempre. Os pombos continuam a procriar, a árvore de maçã riscadinha está cheia de flor, este ano talvez vingue alguma maçã. Alguns pais vieram buscar os (...)

Diário dos meus pensamentos (22)

10.04.20, Alice Alfazema
  Sabes, passo pelas pontes sem as ver. Talvez o rio abundante se tenha já secado. Vieram chuvas risonhas que murmuraram Segredos e promessas. Partiram velozes Os sussurros. E as promessas. Sabes, o cais onde atracam barcos e Pessoas apressadas que levam sonhos E moradas nas algibeiras, fica desgarrado Quando todos partem de olhos pejados de azul. Sabes, certa noite, silenciosa e confidente, Pois nela me acolhi, na fresta entre duas Tábuas do chão gasto, era branco um papel dobrado. A (...)

Manhã dos outros

11.11.19, Alice Alfazema
  Ilustração Andrej Mashkovtsev   Manhã dos outros! Ó sol que dás confiança         Só a quem já confia! É só à dormente, e não à morta, esperança         Que acorda o teu dia.   A quem sonha de dia e sonha de noite, sabendo         Todo o sonho vão, Mas sonha sempre, só para sentir-se vivendo         E a ter coração.   A esses raias sem o dia que trazes, ou somente         Como alguém que vem Pela rua, invisível ao nosso (...)