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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Micro contos - Naquela casa

22.06.17, Alice Alfazema
    Era uma vez uma casa, quem morava lá era muito feliz, sorriam muitas vezes durante o dia, tiravam muitas fotografias e estavam sempre atentos às noticias do momento. Todos os que moravam naquela casa tinham opinião sobre todos os assuntos, eram convictos naquilo que diziam, verdadeiros, activos nas mensagens de partilha. Havia o mundo deles e o mundo dos outros. O mundo deles era aquela casa.      Alice Alfazema

A jóia perdida

16.06.12, Alice Alfazema
    Um explorador atravessava certo dia o deserto quando viu, sentado ao pé duma palmeira, um árabe de aspecto melancólico. Acercando-se do homem, que parecia ser negociante de jóias e perfumes, o explorador perguntou: - Que tendes, amigo, para assim estardes tão preocupado? Posso ser-vos útil em qualquer coisa? - Ai! - respondeu o mercador. Estou triste, porque acabo (...)

Olhar para o lado

27.05.12, Alice Alfazema
  E seguir sem pensar, sem nunca ter experimentado o valor da miséria, daquela humana sem mais nada. Estendem a mão encardida, como encardida está a alma passante que se esquiva ao pensamento. Ri  e mostra sem pudor os dentes amarelados, como as almas que se passeiam pelo tempo, olhando através. Sabe de coisas simples, aprecia o nascer do dia e o bater do coração.         Ali (...)

Pobreza e equidade

07.03.12, Alice Alfazema
    "Não dás a tua fortuna, ao seres generoso para com o pobre; tu dás daquilo que lhe pertence. Porque aquilo que te atribuis a ti, foi dado em comum  para uso de todos. A Terra foi dada a todos e não apenas aos ricos."   Santo Ambrósio                 Alice Alfazema

Conversa com mortos

09.04.11, Alice Alfazema
                - Vim muitas vezes embriagado e deprimido a este cemitério para fazer terapia. Como os vivos raramente conversam comigo por me apelidarem de alcoólico, maluco, irresponsável, e os poucos que conversam começam logo a dar-me uma bronca e conselhos baratos, eu entrava neste cemitério e conversava com os mortos. Aqui chorei pelos meus erros. Aqui disse que era um frustrado, alguém que queria começar tudo de novo, mas falhava continuadamente. Aqui confessei que me (...)

O nevoeiro dos preconceitos

22.02.11, Alice Alfazema
        O diálogo exige abertura de espírito para ver outras perspectivas da realidade, sem o nevoeiro dos preconceitos. Cada um de nós faz bem em afirmar, com entusiasmo, aquilo em que acredita, mas tem de admitir, com humildade, que pode estar enganado nos seus pontos de vista. Deve, por isso, mostrar-se disponível para aceitar discordâncias e aprender com a opinião contrária. Só aprende e evolui quem é humilde. Na comunicação interpessoal, as certezas absolutas são (...)