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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Coisas do nosso tempo - Filosofia

13.08.19, Alice Alfazema
Seria uma atitude ingénua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica.     Paulo Freire - educador e filósofo brasileiro

NEE - A vida depois de criança

10.08.19, Alice Alfazema
Esta é a sigla - NEE - com que se designam as crianças que frequentam a escola e têm apoios educativos diferentes das outras crianças a quem chamamos de normais. E o quer dizer NEE? Necessidades Educativas Especiais. É esta a forma como a sociedade os classifica.    Por vezes olhamos para eles e parecem-nos perfeitamente capazes de desempenhar uma tarefa simples ou de ter um raciocínio lógico adequado e validado pela nossa sociedade. Mas acontece que o mundo deles é (...)

Influenciar

28.07.19, Alice Alfazema
  Houve um tempo em que os pais nos ralhavam por sermos influenciados, diziam-nos que devíamos ter personalidade própria, ter atitude e não ser um mero espelho de alguém.     Hoje ser-se influenciado é algo que é reconhecido socialmente, mesmo que seja no sentido negativo.     É uma dança demasiado perigosa, sem suporte emocional. Dançada por muitos e assistida por muitos mais.      As mazelas que possam vir a ficar são ignoradas, porque o que importa é o momento, (...)

Onde estão eles?

18.07.19, Alice Alfazema
  As pessoas estão a perder os sentido de humor? Muitas vezes me deparo com ter de me repetir para me fazer entender. Estamos a ficar de tal forma formatados que o humor e a ironia passaram a ser matéria que tem de ser ensinada. O pior é que as pessoas com sentido de humor são descredibilizadas, como se manter uma cara séria e carrancuda fosse um pressuposto de pessoa responsável e resiliente. E há quem acredite nisso. É pena não haver mais gaivotas por aí.     As (...)

#diariodagratidao 24-05-2019

24.05.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Pramod Kurlekar     Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o (...)

Uma reflexão no Dia do Trabalhador

01.05.19, Alice Alfazema
  Ilustração Giuseppe Pelliizza   Antigamente, na generalidade, os trabalhadores laboravam em fábricas, na pesca, ou na agricultura, andavam rotos, sujos e descalços porque eram mal pagos e  mal vistos. Eram pessoas que não sabiam de nada, ranhosos, não letrados. Depois vieram os trabalhos de escritório, trabalhos de responsabilidade, melhor pagos, as pessoas passaram a vestir-se melhor, e a distanciarem-se dos rotos e sujos. Apareceram os chefes e os directores e os lambe (...)

#diariodagratidao 06-04-2019

06.04.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Denis Carrier   Hoje foi um sábado igual a tantos outros, fiz os mínimos de limpeza cá em casa, depois estendi roupa, lavei loiça, fiz o almoço, foi peixe cozido com batatas, fui beber um café à rua, espirrei durante grande parte do dia, tenho o nariz inchado, parece que vai explodir a qualquer hora. Vi um filme durante a tarde enquanto o Ginjas e o meu marido dormiam no sofá. Mas o melhor do dia foi ter escrito no blog sobre a

Coisas do nosso tempo - A decadência dos povos auriculares

23.03.19, Alice Alfazema
Venho reparando em como cada vez mais pessoas usam os altifalantes dos telemóveis em locais públicos. Alguns falam para o microfone mantendo o sistema em alta-voz. Outros, diga-se que de todas as idades, assistem a excertos de vídeo, com o som bem alto, em mesas de café. Outros ainda usam o aparelho em modo videoconferência, e sem reservas de maior: ainda há dias vi como um homem nos seus trintas apresentava à namorada distante, acompanhado de um amigo que ria muito, a casa de banho (...)

Moçambique

20.03.19, Alice Alfazema
  Ilustração Erin Robinson     Não sei como conseguimos ser felizes a ver a miséria dos outros. Não sei como dormimos tranquilos enquanto outros não têm casa, nem cama nem nada. Não sei como nos sentamos à mesa e degustamos a comida muitas vezes com desdém, quando outros dormem de barriga vazia, sem choros, sem nada. Não sei como olhamos para o nosso guarda-roupa cheio e dizemos que não temos nada para vestir, quando outros têm apenas a roupa que trazem no corpo. Não sei (...)