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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Autoestima

e Liberdade

27
Mai23

As mulheres

 

A auto-estima está intimamente ligada ao sentido de liberdade,  não se tem auto-estima estando preso a algo ou a alguém, a tentação e a decisão de começar a mudança apenas em si próprio muitas das vezes não surte o efeito desejado, o que leva a uma maior insatisfação pessoal, talvez revolta surda  onde desembarcam as recaídas e a ressaca se agiganta monstruosamente, num medo gélido, congelando o mais ínfimo músculo, paralisando qualquer reacção, e mesmo fazendo os esforços necessários, e lendo isto ou aquilo, aplicando esta e aquela opinião,  vai aumentando o medo de falhar, não há nada, nada há que faça mudar isso, a não ser a quebra abrupta pelo algoz que nos põe nessa situação. 

O exercício primeiro é feito de fora para dentro, porque é de fora que vem o estimulo, são opiniões de outros, gestos subtis ou bruscos, linguagem não verbal assimilada, identificar, analisar, reflectir, acção. Como se corta uma corrente? Com um gesto, com a acção. Como se sabe que resulta? Quando se sente no corpo a sensação de Liberdade.

  

Ilustrações do livro “Meu corpo, minha casa”, de Rupi Kaur

Verdade

Árvore de Natal

21
Dez22

agradecer.jpg 

Ilustração Adrie Martens

 

Sim, é verdade. Os homens escolhem ser metade

Dividem-se ainda garotos por influência

Esquecem rapidamente do todo que outrora foram,

e mergulham no espelho caduco das formas sociais

Brincar é a prova de amor entre diferentes,

e de tão apertados, enxutos, herméticos,

nascem completos

São uma única coisa, massa, sensação. Mas depois

dividem-se. Percebendo, querem de volta, e estão longe

 

Viver muito pode causar dependência

 

Poema Mayk Oliveira

 

Saúde Mental

Árvore de Natal

11
Dez22

onda.jpg  

Ilustração Alice Wellinger

Na teoria a saúde mental é muito falada, estudos, artigos de opinião, livros, especialistas, depois é o que se vê na prática, pode-se dizer quase tudo sobre uma pessoa a troco de visualizações, dinheiro, e pura maldade. Há também outra variante, que são as pessoas que se consideram muito francas, que se dizem sem filtros, para mim não são mais do que meros tolos, pois dizem tudo sem pensar, disfarçados pela capa de francos e sinceros, espalham a sua maldade a seu belo prazer, parece que é moda desrespeitar os outros, desde que seja na base da franqueza, coisa reles que alastra e é fácil fazer.

 

No meu sonho desfilam as visões, 
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos, 
Arrebatado em vastos turbilhões... 

Numa espiral, de estranhas contorções, 
E donde saem gritos e lamentos, 
Vejo-os passar, em grupos nevoentos, 
Distingo-lhes, a espaços, as feições... 

‑ Fantasmas de mim mesmo e da minha alma, 
Que me fitais com formidável calma, 
Levados na onda turva do escarcéu, 

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes? 
Quem sois, visões misérrimas e atrozes? 
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...

Poema Antero de Quental

 

  

 

Empatia

Árvore de Natal

09
Dez22

ratos.jpg Ilustração Vasco Gargalo

 

Os ratos invadiram a cidade
povoaram as casas os ratos roeram
o coração das gentes.
Cada homem traz um rato na alma.
Na rua os ratos roeram a vida.
É proibido não ser rato.

Canto na toca. E sou um homem.
Os ratos não tiveram tempo de roer-me
os ratos não podem roer um homem
que grita não aos ratos.
Encho a toca de sol.
(Cá fora os ratos roeram o sol).
Encho a toca de luar.
(Cá fora os ratos roeram a lua).
Encho a toca de amor.
(Cá fora os ratos roeram o amor).

Na toca que já foi dos ratos cantam
os homens que não chiam. E cantando
a toca enche-se de sol.
(O pouco sol que os ratos não roeram).
                              Poema de Manuel Alegre