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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Serra da Arrábida

Fotografia Artur Pastor poema de Sebastião da Gama

18.06.20, Alice Alfazema
  Nada sabe do Mar quem não morreu no Mar. Calem-se os poetas e digam só metade os que andam sobre as ondas suspensos por um fio.     Sabe tudo do Mar quem no Mar perdeu tudo. Mas dorme lá no fundo, tem os lábios selados, e os olhos, reflectem e claramente explicam os mistérios do Mar, para sempre fechados.       Fotografia Artur Pastor, Portinho da Arrábida décadas de 40/60, Serra da Arrábida, Setúbal. Poema, Inscrição de Sebastião da Gama.

Quotidiano elástico

06.06.20, Alice Alfazema
  Ilustração Virginia Soriano Gayarre     Depois de tanto tempo sem ir às compras hoje fui ver as montras e pela primeira vez em meses entrei numa loja, comprei linha de algodão para crochet, elástico e tecido não tecido. Havia muita gente na rua, algumas pessoas andavam de máscara, outras nem por isso, umas tinham-nas ora no queixo, ora com o nariz de fora, as lojas estavam animadas de gente, não que tivessem apinhadas, nalgumas lojas apenas podiam entrar uma pessoa de cada (...)

Chá de violetas (4)

Robinson Kanes

03.05.20, Alice Alfazema
  O dia hoje está tão quente que vamos beber o chá com violetas com umas pedrinhas de gelo. Este calor faz-me lembrar mergulhos e caminhadas à beira-mar, o cheiro a maresia no ar, gaivotas rasando as ondas e a fazerem inveja aos que as olham e queriam também eles ganhar asas. Assim, mesmo sem asas, hoje tenho aqui na minha sala, paisagens que muito amo, e das quais tenho imensas saudades, só (...)

Poemas em tempos de quarentena

São Salteiro

18.03.20, Alice Alfazema
Hei-de amar-te mesmo na distância!... Então pego numa porção do tempo, daquele tempo, em que ainda está perto, sinto que o tempo só existe lá fora. Além, o meu rio Sado permanece igual. E sem tempo!… a minha serra floresce no doirado das giestas indiferente ao meu tempo. Estendo os braços, e pego numa porção do tempo e deixo-me voar até ti… E não há mais tempo!…     Acaricio o teu rosto mesmo sem mãos, moldo-te no meu pensamento, e sinto tanto poder em mim que a (...)