Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Sonhos impossíveis

07.02.21, Alice Alfazema
  ❁ Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espectáculo que posso. Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis.   Bernardo Soares , do Livro do Desassossego   ❁ Tudo agora parece impossível, estamos dentro de um cerco invisível, as saudades agigantam-se e as preces (...)

"Mostra-me como as pedras são engraçadas..."

29.01.21, Alice Alfazema
Estamos todos exaustos disto tudo, das notícias, da falta de esperança, do desassossego, do medo, do cansaço de não nos ser permitido sair, da falta de convívio, do silêncio e da morte. Importa assim,  exercitar o músculo, por vezes desconhecido, que  é o nosso cérebro,  tendo novos pensamentos, criando sugestões positivas, enfim cuidar da nossa sáude mental. Decifrar o que realmente vemos é o que hoje vos sugiro. As imagens são de Martina Grasso e o texto é de Rubem Alves. (...)

Resiliência

17.09.20, Alice Alfazema
  Vamos começar agora uma nova fase da pandemia, uma fase em que será necessário uma forte resiliência, em que devemos, mais do que nunca, estar atentos aos riscos físicos, é certo que possuímos a informação para a nossa protecção, aquela que se julga apropriada à situação. Mas ninguém nos prepara para a solidão, para o vazio, para a falta de afecto, não que não haja isto tudo, mas falta a presença, falta o calor do abraço, o toque dos beijos, e a (...)

Julho 1944

Auschwitz

02.07.20, Alice Alfazema
  Quando brilhou a aurora, dissolveram-se Entre a luz as florestas encantadas, Arvoredos azuis e sombras verdes, Como os astros da noite embranqueceram Através da verdade da manhã.   Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia, 1944   Tenho estado a ler sobre Auschwitz, Julho de 1944, é-me difícil de ler, tenho-o lido aos poucos, continuo surpreendida com as atrocidades ali cometidas, com a banalização do sofrimento, com a brutalidade da morte, da morte lenta, da morte através (...)

Conversas da escola - O estupor da folha

29.06.20, Alice Alfazema
Uma senhora vem acompanhada, ou é acompanhante, de bebé de colo, criancinha de três anos e uma miúda de dez anos...vêm todos entregar os manuais da mana mais velha. O livro de português tem a folha de rosto escrita, como todos sabem, (alguns ainda continuam por saber), não é para escrever nos manuais, porque os manuais são para ser reutilizados, blá, blá, blá...Ora se a folha de rosto do livro de português está escrita o que fazemos?  1- Apagamos o que está escrito. 2- (...)