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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Que tipo de notícias poderiam alterar a situação de insegurança mental que se vive atualmente?

27
Out23

Diz-se constantemente que vivemos na era da informação, contudo a desinformação atinge patamares mais elevados que a própria informação, desde as falsas notícias à notícia constante de imagens de guerra e relatos repetidos até à exaustão dos cenários de guerra, as capas de jornais e as aberturas dos telejornais raramente fazem relevo às boas coisas que se passam pelo mundo, não existe neutralidade naquilo que é difundido, parece-me ser uma carnificina literária, até que ponto estas notícias, e a sua banalização diária,  influenciam a nossa saúde mental? A forma como vemos o mundo? Ou a influência que isso pode ter no nosso futuro colectivo como espécie? Já que de uma forma ou de outra os órgãos de comunicação também têm a função de educar (fazer adquirir conhecimentos e/ou competências). Ou nas negociações para a Paz? Há quanto tempo não se houve falar sobre negociações para a Paz? Que tipo de jornalismo e de  lideres temos que se resumem ao diz que disse e ao faz que fez, está tudo formatado, tal como souvenirs de Fátima feitos na China.

 

Saúde Mental

Árvore de Natal

11
Dez22

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Ilustração Alice Wellinger

Na teoria a saúde mental é muito falada, estudos, artigos de opinião, livros, especialistas, depois é o que se vê na prática, pode-se dizer quase tudo sobre uma pessoa a troco de visualizações, dinheiro, e pura maldade. Há também outra variante, que são as pessoas que se consideram muito francas, que se dizem sem filtros, para mim não são mais do que meros tolos, pois dizem tudo sem pensar, disfarçados pela capa de francos e sinceros, espalham a sua maldade a seu belo prazer, parece que é moda desrespeitar os outros, desde que seja na base da franqueza, coisa reles que alastra e é fácil fazer.

 

No meu sonho desfilam as visões, 
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos, 
Arrebatado em vastos turbilhões... 

Numa espiral, de estranhas contorções, 
E donde saem gritos e lamentos, 
Vejo-os passar, em grupos nevoentos, 
Distingo-lhes, a espaços, as feições... 

‑ Fantasmas de mim mesmo e da minha alma, 
Que me fitais com formidável calma, 
Levados na onda turva do escarcéu, 

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes? 
Quem sois, visões misérrimas e atrozes? 
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...

Poema Antero de Quental

 

  

 

A linha da vida

Saúde mental

10
Out22

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Ilustração  Nicky Photo et création numérique

 

«Somente a luz que cai continuamente do céu fornece a uma árvore a energia que crava profundamente na terra as suas poderosas raízes. A árvore está na verdade enraizada no céu.»

Simone Weil, A Pessoa e o Sagrado, p. 53

A frase acima foi surripiada do Delito de Opinião - desconhecia a história de vida autora, mas já andei a pesquisar,  e fiquei surpreendida com a missão de vida desta mulher, que pela sua breve viagem por este mundo escreveu tanto e viveu ainda mais. 

Há uma linha ténue entre a vida e a morte, entre a saúde e a doença, é certo que muitos factores externos ao individuo contribuem para acentuar a diferença entre a saúde e a doença, mas também é certo que depende em muito dos factores internos existentes no individuo, sendo assim a linha que separa as duas não é mais que a junção das duas, constituindo discussão desde há muito, se por um lado existe a ideia de que o individuo é o centro, e que parte dele toda a acção, há quem se apoie que isso depende de onde vem a acção externa que influencia o individuo.

No dia instaurado para chamar a atenção para a importância da nossa saúde mental, podemos concluir que apesar de termos hoje mais meios para sermos mais felizes, para vivermos mais anos com saúde, somos confrontados todos os dias com uma panóplia de informação que nos leva a entrarmos em confronto com os nossos sentimentos e com as nossas acções, se por um lado sentimos vontade de exercer a nossa vontade, por outro somos impedidos de aplicar aquilo que queremos. 

Sem dor física que suporte a evidencia de estar-se doente, a saúde mental é muito difícil de diagnosticar e de ser aceite como doença, quer pelo próprio, quer por aqueles que o rodeiam. Enquanto a dor emocional cresce é possível que também a sensação de vazio se instale e mine toda e qualquer vontade de sair daquele estado, e por vezes é quase impossível voltar a si, sem retorno, num desvio permanente, como uma curva sem fim à vista, no fundo a manutenção da nossa saúde mental deverá fazer-se sempre em boa companhia. Tal  como na visão de Simone Weil, a árvore está enraizada no céu, assim também nós estamos enraizados na sociedade, e como o céu nem sempre é límpido, nem sempre cinzento, azul, escuro ou claro, numa visão simplista o céu demonstra aquilo que somos e o que podemos ser, independentemente dos culpados serem factores externos ou internos.

 

 

 

 

 

Alenquer

08
Dez21

Todos os anos se fala daquilo que é gasto pelas câmaras municipais em iluminações de Natal, se nalgumas são apresentados valores muito elevados noutras nem tanto, as opiniões dividem-se, uns dizem que gostam e que vale o esforço financeiro, outros referem que poderiam ser gastos noutras necessidades, não discordo poderiam ser canalizados para outras necessidades, mas vendo bem a coisa, considero isto nos tempos que correm como serviço público na área da saúde mental.

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Pelo sonho é que vamos,

Comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não frutos,

Pelo Sonho é que vamos.

 

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

 

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.

 

Poema de Sebastião da Gama