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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma viagem de Traineira

( a todos os trabalhadores do Mar)

13.09.20, Alice Alfazema
  Se a minha avó materna fosse viva, faria hoje cento e três anos, uma mulher de garra, activa, que nasceu no tempo da grande pandemia, que teve dois filhos na época da Segunda Guerra Mundial, que trabalhou sempre na indústria conserveira, desde os seus nove anos de idade, que andou descalça, que passou fome, que manteve sempre o  seu sorriso e o seu optimismo até ao final.  É à sua memória que recorro sempre que preciso de me orientar.  As pessoas não morrem e desaparecem (...)

Quotidiano elástico

06.06.20, Alice Alfazema
  Ilustração Virginia Soriano Gayarre     Depois de tanto tempo sem ir às compras hoje fui ver as montras e pela primeira vez em meses entrei numa loja, comprei linha de algodão para crochet, elástico e tecido não tecido. Havia muita gente na rua, algumas pessoas andavam de máscara, outras nem por isso, umas tinham-nas ora no queixo, ora com o nariz de fora, as lojas estavam animadas de gente, não que tivessem apinhadas, nalgumas lojas apenas podiam entrar uma pessoa de cada (...)

Um Natal no Rio

15.12.19, Alice Alfazema
Era uma vez um Rio, que corria de Sul para Norte, passava por serras, montes e vales, e vinha desaguar a um estuário que tinha como fim um Oceano imenso. Esse rio era manso e azul, "em certos dias tinha mesmo a cor do céu", as suas margens eram gémeas e nele viviam muitos animais. Tinha uma das pradarias marinhas mais importantes do país, onde nasciam as mais variadas espécies, e que serviam também para alimentar e proteger os golfinhos que por lá viviam, as pessoas que por ali (...)

Meu rio, meu mar

30.11.19, Alice Alfazema
  Minha cidade Meu rio Meu mar   Pôr-do-sol de cores imperiais Cheiros de maresia Cheiros de areia fresca das cadeias do mar Areia de beijinhos perdidos ao relento     Meu mar Belos momentos a esquecer tormentos E o sol a queimar E o sol a sorrir de sonhos saudosos   Deitados no mar com rendados de luz Que o sol emprestou     Minha cidade De rio e de mar Riqueza assim É inveja sem fim.       Carmen Dessa, in Em mim e em outros lugares    

Hoje apetece-me contar uma estória

28.09.19, Alice Alfazema
Era eu uma miúda e atravessava o Sado numa traineira, ao final do dia o cheiro do gasóleo entranhava-se nas minhas narinas, era também um cheiro de oceano, serra e rio, isto tudo misturado como resumo do dia, para mim estes cheiros funcionam como marcadores de memória.   Atravessava então o rio azul e manso, onde podia ver as várias correntes que entravam e saíam do oceano, na cabine e ao leme alguém levava o barco que trepidava a meus pés, era uma sensação relaxante, (...)