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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Advento 2021

Dia 27

24
Dez21

raposa.jpg

Fotografia Kris Tynski

E estamos assim já na véspera de Natal, quase no final deste advento, como sempre o tempo corre e nem damos por isso, umas vezes parece-nos veloz outras lento, o certo é que é um dos bens mais preciosos que temos, também ele um nosso aliado, que nos faz amainar tudo aquilo que nos possa ter feito sofrer, aos poucos lembrar-nos-emos apenas daquilo que importa, e há medida em que temos mais tempo nos ossos as nossas escolhas são feitas em função disso: o que importa, o que nos faz bem, as boas pessoas. 

Dizemos que são tempos de resiliência, tempos para esquecer, no entanto um tempo em que envolve competências para a resiliência não é um tempo para ser esquecido, é um tempo para festejar, porque fomos capazes, porque nos adaptámos, porque transformámos as nossas vidas ultrapassando barreiras emocionais, porque partilhamos os nossos medos e as nossas angústias, é um tempo sem vencidos, é um tempo liso, fresco, e de liberdade em que sem querer nos pusemos à prova. Talvez o maior sucesso, seja aquele de não dar por aquilo que se passa e depois sentir que afinal tudo é possível.

Quero desejar-vos, a todos os que passam por aqui,  um Feliz Natal,  quero também agradecer as vossas palavras, e dizer-vos que nada é permanente por isso para mim a melhor prenda será sempre o Presente. Obrigada por estarem Presente. 

 

#diariodagratidao 12-06-2019

12
Jun19

papoilas.jpg

 

Ilustração Dilka Bear

 

Às vezes o que parece fácil não é, nem o que parece difícil, o que há é falta de vontade.

 

 

A papoila tem o tom vermelho, rubro da festa em brasa.

E, no verde manso do trigal - se aparece

É o grito que contesta a cor certinha o ondular cadente

ao toque do tempo - compassos do vento!...

É a gargalhada insólita, inesperada

que desfralda a revolta recalcada !

E... a papoila sabe!

Cativante! - Erótica, ao tacto macia...

tem toque de pele - morna como um ventre ...

tem toque de seda - um mole de veludo

 - Um nada de cada - um pouco de tudo ...

 

 

Por isso, disfarça o olhar pestanudo

de estames fartos que o ópio perturba...

- Sabe-lhe o negrume e esconde-o bem

na cor escaldante que as pétalas tem.

- Bem de longe chama! - sou de sangue e lume!

- Sou de sangue e lume!...

- E, só se colhida - de morte já ferida

em requebro de tango, maldosa, perdida

sensual, pagã - confessa o ciúme

de usar veneno em vez de perfume.

 

 

 

Poema de Maria José Rijo