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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ao domingo

27.01.19, Alice Alfazema
  Ilustração Jody Hewgill   É domingo as pessoas juntam-se e vão à igreja, rezam e pedem, algumas agradecem. A catequista está lá presente para orientar as crianças. Está um dia de muito frio, de nuvens cinzentas e de vento agreste. As pessoas têm casacos quentes e sorriem. O frio arrepia-me  a pele. Como sempre reparo que os fiéis estacionam os carros em cima do passeio, ocupando todo o espaço de passagem de quem vai a pé. Têm estacionamento a cinquenta metros, mas (...)

Negrume

10.01.19, Alice Alfazema
  Ilustração Beatrix Papp      Hoje quando ia caminho de casa vi um vulto a correr para uma carrinha, daquelas de transportes escolares, assustei-me e não percebi logo o que se passava. Era uma mulher. Uma mulher de burca negra, que conforme corria levantava as saias e deixava ver umas vestes coloridas por baixo daquele negrume.    Um coisa é vermos fotografias destas vestes, outra é vermos ao vivo e a cores. É uma realidade e um fardo para muitas mulheres. Não creio que se (...)

Sabedoria

18.04.17, Alice Alfazema
  Ilustração  Pramod Kurlekar     Um guia é tanto melhor Quando ninguém der por ele. De um bom chefe, que fale pouco, Terminado o trabalho, alcançado o objectivo, Dirão:"Fomos nós que fizemos isto."   Valores Taoístas       Alice Alfazema

O menino

04.09.15, Alice Alfazema
Imagem daqui.   E o menino estava deitado na areia da praia, quase como se estivesse a brincar com as ondas, parecia adormecido. Vestidinho com cuidado, cabelo curto, tal como nos artigos de publicidade.  No entanto este menino é um vestígio da guerra, de um jogo do empurra, da incompreensão entre os povos, do desespero, da ganância, da indiferença, da religião, é o (...)

Março mês da Mulher: Mulheres pequeninas

09.03.14, Alice Alfazema
Nujood tinha dez anos quando se casou com um homem de trinta, serviu como mercadoria, foi comprada por uma ninharia. Esta história já tem alguns anos, existe um livro que narra como tudo aconteceu, o texto abaixo traduz um pouco da vida desta menina nessa altura.Uma mulher esperava por nós na soleira de uma das casas de pedra de Khardji. De imediato, senti que não gostava de mim. A minha nova sogra era velha, com a pele tão enrugada como a de um lagarto. Com um gesto, disse-me que (...)