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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Labirinto ao ouvido

03.02.20, Alice Alfazema
    Um pai antes de morrer disse ao seu filho: – Este é um relógio que o teu avô me deu. Tem mais de 200 anos. Mas antes de te o entregar,  peço-te que vás ao relojoeiro do centro e diz-lhe que queres vende-lo, para veres quanto ele vale. O filho foi. Depois voltou e disse ao pai: – O dono da relojoaria paga-me 5 euros porque diz que ele é velho.     O pai disse-lhe: – Vai ao café e pergunta ao dono quanto é que te dá por ele. O filho foi. Depois voltou, e disse: – (...)

#diariodagratidao 04-06-2019

04.06.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Robert Dunn     O som do relógio Tem a alma por fora, Só ele é a noite E a noite se ignora.   Não sei que distância Vai de som a som Rezando, no tique Do taque do tom.   Mas oiço de noite A sua presença Sem ter onde acoite Meu ser sem ser.   Parece dizer Sempre a mesma coisa Como o que se senta E se não repousa.     Poema de Fernando Pessoa  

Relógio

19.02.12, Alice Alfazema
  Olha o relógio! Quantas horas ele contou, e os tempos que já viu... Para ele nada é estranho. Tem a rapidez dos segundos.  O tormento dos minutos. A vagareza das horas. O ciclo dos dias. E o passar dos anos. Já chegou a contar séculos. Já viu vestes e maneiras diferentes de falar. Por ele já passaram guerras. Anunciou mortes e nascimentos. Conta o tempo e não o (...)