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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Encarvoou-se

o que resta do tempo

31
Mai23

IMG_20230526_133009.jpgE chego então ao final de maio, trinta e um dias repletos de turbulentas emoções, quais trovoadas de raios fulminantes - seguidos de intensos silêncios que foram  empurrados pela chuva - depois veio a bonança, coisa quase sempre vista como inesperada.   

 

Um silêncio frio. Os sons da rua como que foram cortados à faca. Sentiu-se, prolongadamente, como um mal-estar de tudo, um suspender cósmico da respiração. Parara o universo inteiro. Momentos, momentos, momentos. A treva encarvoou-se de silêncio.

Súbito, aço vivo, (...)

Livro do Desassossego por Bernardo Soares.Vol.I. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.  - 59.

A caveira

da saga: uma caminhada por dia

17
Fev21

"Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos"

 

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Aonde vais, caminhante, acelerado?

Pára…não prossigas mais avante;

Negócio, não tens mais importante,

Do que este, à tua vista apresentado.

Recorda quantos desta vida tem passado,

Reflete em que terás fim semelhante,

Que para meditar causa é bastante

Terem todos mais nisto parado.

Pondera, que influído d'essa sorte,

Entre negociações do mundo tantas,

Tão pouco consideras na morte;

Porém, se os olhos aqui levantas,

Pára…porque em negócio deste porte,

Quanto mais tu parares, mais adiantas.

 

Este soneto é atribuído ao Padre António da Ascensão Teles, e faz parte da identidade da Capela dos Ossos, em Évora.