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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Diário dos meus pensamentos (44)

02.05.20, Alice Alfazema
    Eu não estou cansada destes dias, apenas não quero voltar a viver da forma como vivia antes deles. Não quero, já não me revejo, nem ambiciono. E isto é um desejo muito forte, que tenho de trabalhá-lo e de batalhar bastante para conseguir alcançá-lo. É um caminho que estou a percorrer há alguns anos, em que apesar de demonstrar ser essa a minha vontade, tenho tido sempre obstáculos que não consigo ultrapassar, alguns deles sei que existem, mas são de (...)

A escada para o arco-íris

25.11.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Sarolta Szulyovsky      Nascida na ternura ou na tristeza,Límpida gota dos orvalhos da alma,Tu, lágrima saudosa, muda e calma,Que força enorme tens nessa fraqueza?  Possuis mais que o poder da realeza,Quando és filha da dor que o pranto acalma,E, qual gota de orvalho em verde palma,À pálpebra chorosa ficas presa! Estrela da saudade, flor de neve,Que o vento da tristeza faz brotar,Amo o teu brilho nessa luz tão breve Do breve globo teu… imenso marCujos (...)

Somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual?

22.10.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Monica Garwood     Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.   Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem (...)

Fui comprar pão

04.10.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Nerina Canzi   Fui comprar pão de manhãzinha, havia um nevoeiro cinzento e suspenso no céu. Senti o frio nos meus braços, mas não em modo de arrepio, foi mais uma coisa fresca, um alivio do calor dos últimos dias. Passei pelas grandes árvores, e ouvi o barulho das suas folhas a caírem no chão, pensei: mais uma despedida de verão.    Caem então umas atrás das outras, levando cada dia dos meses que passaram, as horas que olhei para elas, senti-me um (...)