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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vozinha neutra

21.10.20, Alice Alfazema
  Ilustração Adrien Patout   Eu gosto muito de vozes, conheço vozes que me acalmam, outras que me alucinam, e aquelas que me alegram. Gosto de sentir emoção na voz, gosto de uma voz grave e profunda, não gosto daquelas vozes que me irritam e que me obrigam a  "desligar" de tão agudas e incisivas que são.  A voz, pode ser trabalhada para disfarçar emoções, ou para activar as mesmas. Quando uma pessoa fala não transmite apenas palavras com um determinado significado, a fala (...)

Baralho de cartas

20.10.20, Alice Alfazema
Ilustração  Alexej Ravski   Quando o teu corpo oscila no meu Quando é já carne o que era só céu Quando o amor se entrega durante E o teu suor é meu num instante  Eu planto as palmas nos teus quadris A morte é menos do que eu sempre quis Eu pouso as mãos no teu abandono Depois das horas há de haver o sono  Baralho as cartas com que jogar Encontro o amor em qualquer lugar Em qualquer poiso pouso a cabeça Seja assim tudo o que eu mais mereça Baralho as cartas com que jogar Encontr (...)

Castanho

19.10.20, Alice Alfazema
Ilustração Mariolina Suglia   Eu não sou de eleger cores favoritas, mas há uma que gosto muito: o castanho. Gosto de castanho em malas, em sapatos, nos casacos, tenho até alguma dificuldade em gostar de malas e sapatos de outras cores. Sinto-me mais confortável com um casaco castanho do que com um preto, o preto em cima dos ombros transtorna-me. Também não gosto de preto nos pés. Uso, mas é para não ter tudo em castanho. As malas, são sempre castanhas, posso entrar numa (...)

Árvores andantes

18.10.20, Alice Alfazema
  Ilustração Laura J. Bobbiesi   A menina olhou a casca rugosa daquela velha árvore e fez-lhe uma vénia, o vento soprou naquele momento dando-lhe a sensação que a árvore lhe respondia. Sentia os socalcos das raízes por debaixo dos seus pés, numa ligação permanente à Terra Mãe. Até agora ainda não tinha compreendido porque não faziam das árvores monumentos vivos. Via nelas obras-primas da natureza, em cada uma havia uma sala cheia de pormenores e de histórias por (...)

A nossa aldeia global

17.10.20, Alice Alfazema
“Numa primeira fase, aceitou-se e entendeu-se que doenças e fatores de risco cardiovasculares, como é o caso da hipertensão, possam ter passado para segundo plano em termos de preocupação e de atenção dispensadas por parte dos serviços de saúde e dos clínicos, de uma forma geral” “O que já não se compreende é que, passados estes meses todos, se continue a consumir a 100% todo o tempo e todas as energias em torno da pandemia em detrimento de uma doença que, diretamente (...)