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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Janela sem vidro

29.04.21, Alice Alfazema
 Tenho quarenta janelas, nas paredes do meu quarto, sem vidros nem bambinelas, posso ver através delas, o mundo em que me reparto. Por uma entra a luz do sol, por outra a luz do luar, por outra a luz das estrelas, que andam no céu a rolar. Por esta entra a Via Láctea, como um vapor de algodão, por aquela a luz dos homens, pela outra a escuridão. Pela maior entra o espanto, pela menor a certeza, pela da frente a beleza, que inunda de canto a canto. Pela quadrada entra a esperança, (...)

Por enquanto é primavera

23.04.21, Alice Alfazema
Rompi o cimento do caminho onde caí semente.Tenho pétalas claras e uma haste segura.Vejo o céu do fundo da vida, sem sombrasque me façam as outras coisas. Gostodesta solidão quando tudo é azul e o solnão queima. Porém, está decidido: no inverno morrerei. Poema de Virgínia do Carmo  

As minhas flores

20.04.21, Alice Alfazema
Eu não tenho jardim, mas tenho bosques, vales, planícies e serras, onde colho as minhas flores, colho-as com a objectiva, este ano redescobri o prazer de observar as flores silvestres, sentindo uma alegria quase infantil por ver uma diversidade tão grande de pormenores que nos são alheios na pressa do dia a dia. Há algo comum a todas elas - Liberdade.   Espírito das danças, espírito das estrelas,espírito das crianças, espírito das velas,espírito que te escondes nos risos e (...)

Lugar

19.04.21, Alice Alfazema
Volto sempre aqui. Ao meu lugar de mim.A serenidade pousa na rocha mais alta. No meu lugar.O vento cresce na tarde e evoca a noite. No meu lugar.O amanhecer despe a noite como uma camisa de cambraia. No meu lugar.O amanhã trará no colo uma braçada de flores.O ar de alfazema deitar-se-á na minha cama.Nos meus lugares espalhados.Em partículas de mim. Eu. O outro nome da noite.  Poema de Lília Tavares

Os mais antigos

18.04.21, Alice Alfazema
  Hoje, fui comprar legumes e peixe fresco, aquilo ali é o meu templo, onde as cores da criação se acumulam nas bancadas dos produtores locais, dando um ar multicultural à "Praça" - em Setúbal o mercado municipal  é chamado de praça pelos mais antigos, e assim de repente lembrei-me, que as pessoas idosas em Setúbal eram chamadas de "mais antigos", porque não é velho de deitar fora, nem idoso de limitado, mas antigo de nobre, que pode ser valorizado - vi então nas (...)