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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

somos nós o vento

29.07.21, Alice Alfazema
    O mar é longeO mar é longe, mas somos nós o vento;e a lembrança que tira, até ser ele,é doutro e mesmo, é ar da tua bocaonde o silêncio pasce e a noite aceita. Donde estás, que névoa me perturbamais que não ver os olhos da manhãcom que tu mesma a vês e te convém? Cabelos, dedos, sal e a longa pele,onde se escondem a tua vida os dá;e é com mãos solenes, fugitivas,que te recolho viva e me concedoa hora em que as ondas se confundeme nada é necessário ao pé do mar.  Po (...)

Geometria

💋

08.06.21, Alice Alfazema
  Dentro do prisma A base, o vértice De suas três Pirâmides contínuas. Dentro do prisma A Ideia Que perdura e ilumina O que já era em mim De natureza pura. Dentro do prisma O universo Sobre si mesmo fechado Mas aberto e alado. Dentro de mim, De natureza ígnea Uma Ideia do Amado.     Vereis em cada círculo Três dimensões de um todo Aparentemente bipartido. Alfa se refaz. É expansão. E é cíclico. Ómega se contrai Em nova direção. Em essência Alimenta-se Daquela que (...)

Estranhos tão iguais

07.06.21, Alice Alfazema
Ilustração  Narjes Mohammadi     Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers são iguais Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais e todos, todos os poemas em (...)

Ao abandono ou a caminho da Liberdade?

02.06.21, Alice Alfazema
Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua. Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem. Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.   Sim: existo dentro do meu corpo. Não trago o sol nem a lua na algibeira. Não quero conquistar mundos porque dormi mal, Nem almoçar o mundo por causa do estômago. Indiferente? Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso, Um momento no ar que não é para nós, E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra, Traz! na realidade que não falta!

"cega, secreta e doce como estrelas"

Floresta

26.05.21, Alice Alfazema
Entre o terror e a noite caminheiNão em redor das coisas mas subindoAtravés do calor das suas veiasNão em redor das coisas mas morrendoTransfigurada em tudo quanto amei. Entre o luar e a sombra caminhei:Era ali a minha alma, cada flor- cega, secreta e doce como estrelas -Quando a tocava nela me tornei. E as árvores abriram os seus ramosOs seus ramos enormes e convexosE no estranho brilhar dos seus reflexosOscilavam sinais, quebrados ecosQue no silêncio fantástico beijei.  Poema (...)