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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Regresso

30.07.19, Alice Alfazema
  Ilustração Dianimations     Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que não é nada comigo. Distraído percorro o caminho familiar da saudade, pequeninas coisas me prendem, uma tarde num café, um livro. Devagar te amo e às vezes depressa, meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no amor como em casa.       P (...)

Orla

26.06.19, Alice Alfazema
Desde a orla do mar Onde tudo começou intacto no primeiro dia de mim Desde a orla do mar Onde vi na areia as pegadas triangulares das gaivotas Enquanto o céu cego de luz bebia o ângulo do seu voo Onde amei com êxtase a cor o peso e a forma necessária das conchas Onde vi desabar ininterruptamente a arquitectura das ondas E nadei de olhos abertos na transparência das águas Para reconhecer a anémona a rocha o búzio a medusa Para fundar no sal e na pedra o eixo recto Da construção (...)

#diariodagratidao 13-06-2019

13.06.19, Alice Alfazema
    Ilustração  Mutsumi   Cheguei a casa quando anoitecia. Ainda quente, o vento empurrava-me o vestido. Por um instante senti-me ave levada por brisas, plumas e enigmas. A aragem entontecia-me de prazer. Queria ficar nos braços daquele vento. Imaginei que o anoitecer me pertencia. De pé, senti o teu corpo. O meu, aberto e solto, deixou-se ir. Sou apenas uma guardadora de ventos.     Poema de Lília Tavares

Pergamóide

25.09.18, Alice Alfazema
Ilustração  Jane Ray     Remendos de estrelas passajadas no espaço reconstroem todo o céu.   Mãe: E se não houvesse estrelas se o teu ventre me não gerasse e se o céu em vez de infinito fosse de pergamóide azul?     Que espécie de poesia, mãe faria um poeta que não renuncia exatamente como eu à cor com que nasceu?         José Craveirinha

Também há imagens que nos beijam?

18.08.18, Alice Alfazema
    Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca, Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca.       Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto, Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto.       De repente coloridas Entre palavras sem cor,     Esperadas, inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído, No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é (...)

O que é a transdisciplinaridade, que defende a unidade do conhecimento?

13.07.17, Alice Alfazema
Ilustração Alessandro Gottardo     As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, na minha opinião, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa.   A literatura e as artes deveriam ocupar mais espaço no currículo das escolas? Por quê?   Para se conhecer o ser humano, é preciso estudar áreas do conhecimento como as ciências sociais, a biologia, a psicologia. Mas a (...)

Bom dia :)

11.06.17, Alice Alfazema
  Ilustração  Sebastián Vaca       A pintura é uma poesia que se vê e não se sente, e a poesia é uma pintura que se sente e não se vê.     Leonardo da Vinci     Alice Alfazema  

Rosas

05.04.17, Alice Alfazema
    Por mais que te celebre, não me escutas, embora em forma e nácar te assemelhes à concha soante, à musical orelha que grava o mar nas íntimas volutas.       Deponho-te em cristal, defronte a espelhos, sem eco de cisternas ou de grutas… Ausências e cegueiras absolutas ofereces às vespas e às abelhas.     E a quem te adora, ó surda e silenciosa, e cega e bela e interminável rosa, que em tempo e aroma e verso te transmutas!       Sem terra nem estrelas brilhas, presa

Morangos

25.03.17, Alice Alfazema
  Ilustração Sarah K. Lamb       No começo do amor, quando as cidades nos eram desconhecidas, de que nos serviria a certeza da morte se podíamos correr de ponta a ponta a veia eléctrica da noite e acabar na praia a comer morangos ao amanhecer? Diziam-nos que tínhamos a vida inteira pela frente. Mas, amigos, como pudemos pensar que seria assim para sempre? Ou que a música e o desejo nos conduziriam de estação em estação até ao pleno futuro que julgávamos mere (...)