Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Por dentro

16.04.21, Alice Alfazema
Ilustração Dariusz Mlącki    Beijo a tua voz com força. E faço cabero entendimento na simetria perfeitado que dizemos um ao outro.Sei que é só de mastros a distânciaque vai de mim a ti quando as vagasnos empurram e nós seguimos, segurosde sermos barco um no outro.  Poema de Virgínia do Carmo

(a) braços

12.04.21, Alice Alfazema
   Não é por acasoque existe um espaçoentre dois braçoslugar onde se semeiamgerminam e crescemos abraços No espaçoentre dois braçosexauram-se medos e agoniasremovem-se pedras do caminhofecundam-se sonhoscriam-se laços No espaço entre dois braçoscalam-se as vozes e os passosfalam os sentidos consentidosnasce a vertigem de coraçãocom coração sem embaraços Não não é por acasoque existe um espaçoentre dois braçoslugar onde se semeiame crescem os abraços   Poema de (...)

16

16.03.21, Alice Alfazema
  Para um amigo tenho sempre um relógio esquecido em qualquer fundo de algibeira. Mas esse relógio não marca o tempo inútil. São restos de tabaco e de ternura rápida. É um arco-íris de sombra, quente e trémulo. É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.   Poema de António Ramos Rosa  

9

A vida inteira

09.03.21, Alice Alfazema
  A minha filha perguntou-meo que era para a vida inteirae eu disse-lhe que era para sempre.      Naturalmente, menti,mas também os conceitos de infinitosão diferentes: é que ela perguntou depoiso que era para sempree eu não podia falar-lhe em universosparalelos, em conjunções e disjunçõesde espaço e tempo,nem sequer em morte.      A vida inteira é até morrer,mas eu sabia ser inevitável a questãoseguinte: o que é morrer? Por isso respondi que para sempreera assim (...)

5 Km

da saga: uma caminhada por dia

24.02.21, Alice Alfazema
  Qualquer caminho leva a toda a parte. Qualquer ponto é o centro do infinito. E por isso, qualquer que seja a arte De ir ou ficar, do nosso corpo ou espírito, Tudo é estático e morto. Só a ilusão Tem passado e futuro, e nela erramos. Não há estrada senão na sensação É só através de nós que caminhamos.   Tenhamos pra nós mesmos a verdade De aceitar a ilusão como real Sem dar crédito à sua realidade. E, eternos viajantes, sem ideal Salvo nunca parar, dentro de nós, C (...)