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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ando com ele a toda a hora

23.05.20, Alice Alfazema
Ilustração Natasha Chetkov     Há metafísica bastante em não pensar em nada.   O que penso eu do Mundo? Sei lá o que penso do Mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso.     Ilustração Sara Sánchez     Que ideia tenho eu das coisas? Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma E sobre a criação do Mundo? Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos E não pensar. É correr as cortinas Da minha janela (mas ela não tem (...)

O Pássaro da Cabeça

02.05.20, Alice Alfazema
Ilustração Ira Khvan   Sou o pássaro que canta dentro da tua cabeça, que canta na tua garganta, que canta onde lhe apeteça. Sou o pássaro que voa dentro do teu coração e do de qualquer pessoa (mesmo as que julgas que não). Sou o pássaro da imaginação que voa até na prisão e canta por tudo e por nada mesmo com a boca fechada. E esta é a canção sem razão que não serve para mais nada senão para ser cantada quando os amigos se vão e ficas de novo sozinho na solidão que (...)

Orvalho

13.04.20, Alice Alfazema
  Deixa que o orvalho lave a poeira dos caminhos.     Deixa que a pedra rosada se incendeie com o Sol e que as chamas iluminem o destino tão incerto e frágil, quanto a carne que um dia, será apenas pó.     Deixa que o amor, num simples abraço se eternize antes que o corpo nada mais precise.     Deixa que o sonho não seja fantasia que ressuscite em cada dia e fique gravado em cada um de nós ! Deixa!       Poema Lita Lisboa, in Nuances Poéticas 

Diário dos meus pensamentos (22)

10.04.20, Alice Alfazema
  Sabes, passo pelas pontes sem as ver. Talvez o rio abundante se tenha já secado. Vieram chuvas risonhas que murmuraram Segredos e promessas. Partiram velozes Os sussurros. E as promessas. Sabes, o cais onde atracam barcos e Pessoas apressadas que levam sonhos E moradas nas algibeiras, fica desgarrado Quando todos partem de olhos pejados de azul. Sabes, certa noite, silenciosa e confidente, Pois nela me acolhi, na fresta entre duas Tábuas do chão gasto, era branco um papel dobrado. A (...)