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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Um lugar azul

08.01.21, Alice Alfazema
Ilustração Jacub Gagnon   Não sei fazer uma rosa nem me interessa não sei descer à cidade cantando nem é grande a pena minha. Não sei comer do prato dos outros nem quero não sei parar o fluir dos dias e das noites e nem isso me apoquenta. Não sei recriar o brilho do poema azul... e isso dá-me vontade de morrer. Procuro para além das sílabas e dos versos a voz poderosa mais vizinha do silêncio o meu poema azul… o suspiro de Outono onde a brisa se aninha no breve silêncio (...)

Pescar

16.12.20, Alice Alfazema
  Escrever um poema é como apanhar um peixe com as mãos nunca pesquei assim um peixe mas posso falar assim sei que nem tudo o que vem às mãos é peixe o peixe debate-se tenta escapar-se escapa-se eu persisto luto corpo a corpo com o peixe ou morremos os dois ou nos salvamos os dois tenho de estar atenta tenho medo de não chegar ao fim é uma questão de vida ou de morte quando chego ao fim descubro que precisei de apanhar o peixe para me livrar do peixe livro-me do peixe com o alívio (...)

Carta de Natal

11.12.20, Alice Alfazema
    Ilustração Alice Wellinger   Tu que dormes a noite na calçada de relento Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento És meu irmão amigo És meu irmão E tu que dormes só no pesadelo do ciúme Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume E sofres o Natal da solidão sem um queixume És meu irmão amigo És meu irmão Natal é em Dezembro Mas em Maio pode ser Natal é em Setembro É quando um homem quiser Natal é quando (...)

Ainda

04.12.20, Alice Alfazema
Ilustração  Rolf Armstrong    AindaTenho flores por colherO céu por alcançarCaminhos por percorrer  AindaTenho mágoas por curarNoites por descobrirLágrimas por cristalizar AindaTenho desejo e arrepioSonhos a esvoaçarE sou nascente e rio AindaTenho o tempo por iludirO sol por tocar, o arco-írisA chuva e o vento por abraçar. AindaNão sei como suster o tempoE tenho tantas floresPor semear!  Poema de Alice Queiroz   

Az-zaytuna

28.11.20, Alice Alfazema
Ilustração Denis Sarazhin   Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas... O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas Vivem, livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo! envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem: Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando (...)