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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Estrela do mar

07.07.21, Alice Alfazema
Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte e em que o sono parecia disposto a não vir fui estender-me na praia sozinho ao relento e ali longe do tempo acabei por dormir ✩   Acordei com o toque suave de um beijo e uma cara sardenta encheu-me o olhar ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar ✩ Sou a estrela do mar só a ele obedeço, só ele me conhece só ele sabe quem sou no princípio e no fim só a ele sou fiel e é ele (...)

Estranhos tão iguais

07.06.21, Alice Alfazema
Ilustração  Narjes Mohammadi     Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers são iguais Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais e todos, todos os poemas em (...)

Porque o Dia da Mãe é sempre que um filho quer

28.04.21, Alice Alfazema
    Mãe descobri que o tempo pára E o mundo não separa o meu coração do teu Eu sei que essa coisa rara Aumenta, desassossega mas pára Quando o teu tempo é o meu   Mãe canta com vaidade Porque já tenho idade Pra saber Que em verdade em cada verso teu Onde tu estás estou eu   Mãe contigo o tempo pára Nosso amor é coisa rara E cuidas de um beijo meu Sei que em cada gesto teu Está teu coração no meu   Mãe canta com vaidade Porque já tenho idade Pra saber (...)

Alfazema da Arrábida

26.04.21, Alice Alfazema
Da tua vida o que não podem entender Nem oiro nem poder nem segurança Mas a paixão do Tempo e de seus riscos Tu buscaste o instante e a intensidade E foste do combate e da mudança Por isso um rastro de ruptura e de viagem Ou talvez este fogo inconquistado Como breve eternidade De passagem   Poema de Manuel Alegre  

Lugar

19.04.21, Alice Alfazema
Volto sempre aqui. Ao meu lugar de mim.A serenidade pousa na rocha mais alta. No meu lugar.O vento cresce na tarde e evoca a noite. No meu lugar.O amanhecer despe a noite como uma camisa de cambraia. No meu lugar.O amanhã trará no colo uma braçada de flores.O ar de alfazema deitar-se-á na minha cama.Nos meus lugares espalhados.Em partículas de mim. Eu. O outro nome da noite.  Poema de Lília Tavares