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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma pergunta por dia: Porque não são os pais institucionalizados?

23.10.14, Alice Alfazema
Não gosto que haja cada vez mais crianças institucionalizadas. Privadas de afecto, sem laços, sem memórias felizes. Enquanto aos pais nada lhes acontece, continuam na sua vidinha de sempre, tentando, tentando nada. Alguém me explica porque não são os pais institucionalizados, para que finalmente se consigam quebrar os ciclos viciosos da imensa estupidez que presencio todos os dias.   Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.   Alice alfazema  

Depois do choro

17.11.13, Alice Alfazema
Moram na rua, debaixo de um vão de escadas de umas lojas luxuosas de Lisboa. Victor e Bela sonham ter uma casa, talvez uma daquelas que estão vazias no centro da cidade, ou noutro sítio qualquer. Não conhecem blogues nem esta vida virtual, conhecem a realidade fria e dura, mas diz ele: choro depois passa-me.   Alice Alfazema

Brincar aos pobrezinhos: um homem sobre a calçada

03.08.13, Alice Alfazema
Ontem fui a Lisboa. No largo Camões havia muita gente, aliás como em toda a cidade, ou pelo menos na cidade turística.    Num dos passeios do largo, um homem dormia, com a cabeça na calçada, como se um belo travesseiro tivesse. Olhei-o, tinha no rosto adormecido um ar tranquilo, olhei em volta, ninguém parecia vê-lo, e eu senti-me como se estivesse a intrometer-me na vida de alguém, afinal aquele homem estava na sua casa, desviei o olhar e continuei a andar, tal como todos os (...)

Fome

18.11.12, Alice Alfazema
O miúdo desceu a ladeira numa correria, ao longe via-se o rio, azul como sempre. Olhou o céu, estava da mesma cor do rio. Parou, pegou no caroço que estava na valeta e devorou-o.    (Se me perguntarem se a história é verdadeira a resposta é - sim, se pode voltar a acontecer é - provavelmente sim, se continuarmos com estas medidas de austeridade.) Alice Alfazema

O discurso do Mancha Negra

08.09.12, Alice Alfazema
          Há uma mancha negra que se aproxima devagarinho, devagarinho, com um certo charme, que nos envolve com palavras ocas e nos leva mornamente para um caldeirão louco.         Alice Alfazema

Olhar para o lado

27.05.12, Alice Alfazema
  E seguir sem pensar, sem nunca ter experimentado o valor da miséria, daquela humana sem mais nada. Estendem a mão encardida, como encardida está a alma passante que se esquiva ao pensamento. Ri  e mostra sem pudor os dentes amarelados, como as almas que se passeiam pelo tempo, olhando através. Sabe de coisas simples, aprecia o nascer do dia e o bater do coração.         Ali (...)