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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Hoje apetece-me contar uma estória

28.09.19, Alice Alfazema
Era eu uma miúda e atravessava o Sado numa traineira, ao final do dia o cheiro do gasóleo entranhava-se nas minhas narinas, era também um cheiro de oceano, serra e rio, isto tudo misturado como resumo do dia, para mim estes cheiros funcionam como marcadores de memória.   Atravessava então o rio azul e manso, onde podia ver as várias correntes que entravam e saíam do oceano, na cabine e ao leme alguém levava o barco que trepidava a meus pés, era uma sensação relaxante, (...)

Presença

06.06.19, Alice Alfazema
  Fotografia Artur Pastor   Há no mar uma presença que me chama, são vozes vindas de longe, de muito longe, onde a minha alma liquida quereria chegar. Não sei localizá-las, apenas as sinto. Estarão brincando nas ondas? Ou em águas profundas? No meio de tempestades? Ou em mares cristalinos? Sinto o sal na boca e nos dentes, incham-me os lábios da salmoura. Fico assim durante horas. É como se o mar falasse por mim.   Aquelas águas escuras fazem-me sonhar com mil mundos ali (...)

Às gentes do mar

16.12.12, Alice Alfazema
  Virgem Maria, cheia de graça, a terra em ondas é o teu altar. Reza-te o vento quando aí passa, ao som das preces do velho do mar.   Virgem Maria, milhões de estrelas poisam de noite no teu altar. Servem de luzes, são tuas velas. É teu órgão a voz do mar.   Virgem Maria, cheia de graça, deixa que eu suba, deixa-me orar. À voz do vento quando aí passa,   ao (...)

Outras vidas

28.06.12, Alice Alfazema
      Neste tempo de comer sardinhada, de lhes sentir o cheiro e o sabor vale a pena pensar e saber que, para além disto há um outro lado que interessa descobrir:     "Partimos rumo ao desconhecido. Quando abandonamos terra, tornamo-nos numa outra pessoa em nós próprios. Assumimos uma outra identidade. Aquela salgada, que o meio assim o exige e que nos molda. Os (...)