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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Diário dos meus pensamentos (20)

08.04.20, Alice Alfazema
  Ilustração Ilaria Zanellato   Na medidas dos dias lentos e vagos alguma coisa se há-de safar, safam-se os pensamentos e as leituras atrasadas a escrita e as conversas, a família, os amigos o tricot e a culinária. Pensar exige muito tempo, paciência até, pensar não é para gente preguiçosa, pensar é elaborar a mente de energia, mesmo que haja quem pense que não se faz nada. E do nada nasce tudo, apenas ao alcance de um pensamento. 

Diário dos meus pensamentos (9)

Sábado

28.03.20, Alice Alfazema
Acordo com o Sol a bater-me na cara, aquela luz reflecte-se no espelho e produz um clarão de luz amarela. Penso mais uma vez se tudo isto é um pesadelo? Forço-me então a lembrar as informações do dia anterior, sim é verdade.    Volto à mesma rotina, a minha filha diz-me que estou mais social, é verdade, vou mais vezes às redes sociais, partilho imensa informação, até faço parte de um grupo que partilha informação. Porquê? Porque aflige-me a partilha de notícias sem (...)

Somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual?

22.10.18, Alice Alfazema
  Ilustração  Monica Garwood     Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.   Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem (...)

Por as palavras a andar

18.10.18, Alice Alfazema
    Ilustração Olha Muzychenko   “Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos aquilo que prometemos, o fio de nossa ação, que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar, fica solto ao nosso lado. Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente, fazendo que fiquemos amarrados às nossas próprias palavras. Por isso os nativos têm o costume de "por-as-palavras- a-andar", que significa agir de acordo com o que se (...)