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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Escuridão luminosa

15.08.19, Alice Alfazema
Estamos numa espécie de Idade Média do tempos modernos, agora as pessoas têm informação, muita informação, mas não a utilizam de forma correcta, propagam-se então as notícias que têm anos como se fossem novidades, a fonte da notícia não é tida em conta. Há assim uns locais onde o povo se ajunta e grita, mas agora são gritos escritos, nada de atirar tomates e verduras podres, agora são os comentários de ódio, sem fundamentação. Depois uns riem, outros aplaudem, tal como (...)

Uma mão cheia

27.01.18, Alice Alfazema
  Longe parecerá o dia em que os vermes nos venham comer, que passem por nós já frios e imóveis, em que a nossa vontade será nula perante a Natureza das coisas. E crescerão flores sobre nós e pássaros hão-de poisar nos seus ramos. Tão longe que será tão breve, como uma chuva miudinha que parece não molhar.     E a pele será comida, nosso berço aquele barro vermelho, aos poucos nos havemos de transformar, de sólido a líquido, de líquido a pó. E alguém agarrará (...)

De que cor é o teu sol?

14.01.18, Alice Alfazema
  Ilustração Fernanda Maya       Deus escreve direito por linhas tortas E a vida não vive em linha rectaEm cada célula do homem estão inscritasA cor dos olhos e a argúcia do olharO desenho dos ossos e o contorno da boca       Por isso te olhas ao espelho:E no espelho te buscas para te reconhecerPorém em cada célula desde o inícioFoi inscrito o signo veemente da tua liberdadePois foste criado e tens de ser realPor isso não percas nunca teu fervor mais austeroTua (...)

Receitas da minha mãe

22.02.17, Alice Alfazema
Quando eu era pequena e ia para a escola ou brincar para a rua a minha mãe dizia-me: se te oferecerem rebuçados, chocolates ou outras coisas para comeres, e tu não conheceres a pessoa que tas oferece, aceitas, aceitas sempre. Depois quando ninguém estiver a ver deitas fora, nunca comas. Percebeste?    Assim meus amigos, para aqueles que estão em posição de ter de ouvir de tudo e mais alguma coisa, oiçam, oiçam sempre, mesmo que as conversas não vos digam nada, mesmo que (...)