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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma mão cheia

27.01.18, Alice Alfazema
  Longe parecerá o dia em que os vermes nos venham comer, que passem por nós já frios e imóveis, em que a nossa vontade será nula perante a Natureza das coisas. E crescerão flores sobre nós e pássaros hão-de poisar nos seus ramos. Tão longe que será tão breve, como uma chuva miudinha que parece não molhar.     E a pele será comida, nosso berço aquele barro vermelho, aos poucos nos havemos de transformar, de sólido a líquido, de líquido a pó. E alguém agarrará (...)

De que cor é o teu sol?

14.01.18, Alice Alfazema
  Ilustração Fernanda Maya       Deus escreve direito por linhas tortas E a vida não vive em linha rectaEm cada célula do homem estão inscritasA cor dos olhos e a argúcia do olharO desenho dos ossos e o contorno da boca       Por isso te olhas ao espelho:E no espelho te buscas para te reconhecerPorém em cada célula desde o inícioFoi inscrito o signo veemente da tua liberdadePois foste criado e tens de ser realPor isso não percas nunca teu fervor mais austeroTua (...)

Receitas da minha mãe

22.02.17, Alice Alfazema
Quando eu era pequena e ia para a escola ou brincar para a rua a minha mãe dizia-me: se te oferecerem rebuçados, chocolates ou outras coisas para comeres, e tu não conheceres a pessoa que tas oferece, aceitas, aceitas sempre. Depois quando ninguém estiver a ver deitas fora, nunca comas. Percebeste?    Assim meus amigos, para aqueles que estão em posição de ter de ouvir de tudo e mais alguma coisa, oiçam, oiçam sempre, mesmo que as conversas não vos digam nada, mesmo que (...)

Pedaços de papel

29.01.16, Alice Alfazema
Ilustração  Ken Gailer   Se conseguisses juntar pedaços de papel, que te interessam e que acumulas-te ao longo da tua vida, para depois fazeres com eles um quadro, terias um quadro alegre ou um quadro trágico?   A vida é uma comédia para aqueles que pensam e uma tragédia para aqueles que sentem.   Horace Walpole     Alice Alfazema