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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Debaixo das telhas

20.11.20, Alice Alfazema
Ilustração Tran Nguyen     Quando a moça da cidade chegou veio morar na fazenda, na casa velha... Tão velha! Quem fez aquela casa foi o bisavô... Deram-lhe para dormir a camarinha, uma alcova sem luzes, tão escura! mergulhada na tristura de sua treva e de sua única portinha... A moça não disse nada, mas mandou buscar na cidade uma telha de vidro... Queria que ficasse iluminada sua camarinha sem claridade... Agora, o quarto onde ela mora é o quarto mais alegre da fazenda, t (...)

"Irei beber a luz e o amanhecer"

28.10.20, Alice Alfazema
Ilustração Olesya Serzhantova     Um dia quebrarei todas as pontes Que ligam meu ser, vivo e total, À agitação do mundo do irreal, E calma subirei até às fontes. Irei até às fontes onde mora A plenitude, o límpido esplendor Que me foi prometido em cada hora, E na face incompleta do amor. Irei beber a luz e o amanhecer, Irei beber a voz dessa promessa Que às vezes como um voo me atravessa, E nela cumprirei todo o meu ser.   Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen    

Loendros

01.08.19, Alice Alfazema
  Se eu chegar a ser dum Outro mas de mim não me perdendo  e esse Outro todos os outros que comigo estão vivendo não só homens mas também os animais e as plantas  e os minerais ou os ares e as estrelas tais e tantas terei decerto cumprido meu destino e com que sorte para gozar de uma vida já ressurecta da morte.       Agostinho da Silva, 1989