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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Em estado líquido

21.01.21, Alice Alfazema
Ilustração Calita Agora é tudo a líquido, muito chá, algum café, e água, até os pensamentos estão líquidos, que de tão aguados que andam nem chegam a lógicos. É boiar, é boiar minha gente, até que maré amanse. E quando eles jorrarem em torrente descontrolada é encontrar um lugar seguro acima da corrente, é fintar a tristeza, o desânimo, a opacidade dos dias, por vezes não se sabendo como, apenas esperando que o (...)

Tsuru

14.01.21, Alice Alfazema
Ilustração Akzhana Abdaliyeva Dizem que ao fazermos mil tsurus de origami somos capazes de transformar desejos em realidade, dizem que são símbolo de sorte, de felicidade. Talvez o tempo passado em reflexão a dobrar o papel crie na nossa mente o poder de concretizar a nossa vontade. A habilidade de dobrar um quadrado perfeito de papel, do pouco fazer muito e acreditar que se chega ao final.  

Bellissimo!

24.11.20, Alice Alfazema
Hoje na hora do almoço fui beber um café, pedi um bolo miniatura para dar pompa à circunstância. Quando recebi o pedido fiquei tão contente com o efeito que pensei automaticamente, tenho de tirar uma fotografia para lhes mostrar. E quem são os lhes? São vocês que passam por aqui todos os dias, que me deixam comentários, que me acompanharam durante este mês de Novembro, que foi para mim um mês duro e de clausura forçada.  Mês em que fiz parte dos números da listagem diária (...)

Vidas paralelas

22.11.20, Alice Alfazema
Ilustração João Fazenda   Coloquei o bolo no forno, mas antes fiz a massa a preceito, batendo as claras até ficarem leves, depois envolvi-as no resto da massa tendo o cuidado de não bater em demasia o preparado. Tinha muita fé nisso, que o bolo ia subir e ficar fofinho. Uma delícia. Coloquei o bolo no forno, e passados cinco minutos espreitei, abri a porta do forno muitas vezes, na esperança de acompanhar melhor o seu (...)

A pandemia das ideias e dos outros

COVID-19

09.11.20, Alice Alfazema
  As medidas quando são tomadas de modo contraditório, denotam a desorientação das ideias, levando à desorganização dos sistemas. Podemos ir ao supermercado, mas não podemos andar na rua, podemos ir trabalhar em transportes cheios, mas não podemos ir ao restaurante durante o fim-de-semana. As escolas estão cheias, mas não são focos de vírus. Ando bêbada e não sei qual a bebida que ando a tomar.      Não morremos do mal, vamos morrer da cura. Podes estar com a tua (...)