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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Curso previsível da vida

07.02.20, Alice Alfazema
  Ilustração Anke Evers     Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando (...)

As pombas

16.07.19, Alice Alfazema
    As pombas rodeiam-te, são pensamentos esvoaçantes, que vão e vêm em diversas direcções, esvoaçam levemente ou poisam de rompante. Vão embora pela manhã e voltam à tarde. À noite poisam no poleiro dos teus sonhos e ficam à espera de comida. Do teu eu que paira num universo paralelo, numa almofada fofa e fresca com cheiro de maresia. De manhã as pombas refrescam-se na tua preguiça, na ponta dos teus dedos e debicam segredos que tu agarras com as mãos, elas fogem, só (...)

Namorar

14.02.17, Alice Alfazema
  Ilustração Leandro Lamas   Quem ousará dizer que ele é só alma? Quem não sente no corpo a alma expandir-se até desabrochar em puro grito de orgasmo, num instante de infinito? O corpo noutro corpo entrelaçado, fundido, dissolvido, volta à origem dos seres, que Platão viu completados: é um, perfeito em dois; são dois em um.          Carlos Drummond de Andrade, in O Amor Natural     Alice Alfazema