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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

As árvores e as pessoas

15.11.19, Alice Alfazema
Ilustração Alida Massari     No fundo, as árvores não são muito diferentes das pessoas. Enquanto somos jovens, os pimentos “mais viçosos”, aqueles que associamos à frondosidade da beleza (os verdes), são os que têm protagonismo. Mas o passar do tempo revela os outros, talvez menos perceptíveis, que sempre fizeram parte de nós mas que nos dão outras cores e outro tipo de beleza na meia-idade (o nosso Outono).   Texto do blogue Estrada de Damasco (...)

Música de Outono

14.11.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Terry Fan   Está um dia de temporal, daqueles dias cinzentos e barulhentos, o vento sopra em vários tons, ora manso, ora furioso, de vez em quando faz pausas e deixa o silêncio entrar, pianinho, pianinho.   Sei de cor a música que hoje vou ouvir, os moços vão gritar como gaivotas, guinchos longos e estridentes, vão comer desalmadamente, andar à chuva e dizer que não tiveram culpa, vão pôr-se debaixo dos algerozes e aproveitar a água ao máximo. Vão andar (...)

No reino das folhas caídas

04.11.19, Alice Alfazema
  Ilustração Alida Massari   No reino das folhas caídas, as árvores ficam despidas, o vento sopra com mais força, a chuva cai com intensidade, cogumelos emergem do solo, os corvos piam devagar, as rolas reclamam do tempo. No reino das folhas caídas, os castanhos são vassalos, os musgos condes, as formigas continuam a amealhar comida, nesse reino de nostalgia as árvores aproveitam para enraizar. Porque não fazes o mesmo?

Encontrar

31.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração Hanemusi   Escrever é esculpir sentimentos, é materializar de alguma forma algo que sentimos em palavras, é uma maneira de me conhecer e explorar a minha própria geografia.    Zack Magiezi  

Folha

26.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração Carolina Avelino    O VENTO voa, a noite toda se atordoa, a folha cai. Haverá mesmo algum pensamento sobre essa noite? sobre esse vento? sobre essa folha que se vai?     Poema Cecília Meireles 

Sopro

21.10.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Magaly Ohika   Atente os seus ouvidos Mais às coisas que aos Seres À voz do Fogo, fique atento, Ouça a voz das Águas. Ouça através do Vento A Savana a soluçar É o Sopro dos ancestrais Os que faleceram jamais se foram Eles estão na Sombra que se ilumina E na sombra que se enegrece. Os Mortos não estão sob a Terra Eles estão na Árvore que freme, Estão na Madeira que geme, Estão na Água que dorme, Estão na Cabana, estão na Massa Os mortos não estão mortos. (...)

Boas-vindas

21.09.19, Alice Alfazema
  Ilustração Margherita Magy Grasso   Foi de noite, nem sei que horas eram, acordei, senti bater na janela, devagar, devagarinho, fiquei à escuta, ouvi mais, agora na estrada, pingos grossos de chuva, fiquei a ouvir, como quem recebe uma visita à muito esperada, saudades.  Transportei-me então para o lado de fora - não preciso do corpo para fazer isso - a erva seca agradecia o banho vindo do céu, imaginei os corvos, as rolas, as corujas, os falcões, os pardais...nos ninhos a (...)