Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O ano de 2022

Palavra de definição: loucura

29
Dez22

 

mundo paz.jpg  

Ilustração Maria Inês Cristovám C.L. Lourenço, de 13 anos, do Agrupamento de Escolas D. Maria II

Este ano é-me difícil definir o bom de 2022, é claro que houve coisas boas, mas tenho a sensação que as más superaram as boas. Parece-me que há um estado de loucura crescente entre as pessoas, entre aquilo que pensam, dizem e fazem, não gostei deste ano, foi um ano cruel, foi um ano sangrento, de muito sofrimento, um ano muito frágil onde a mentira muitas vezes se sobrepôs  à realidade.

 

Três cabeças

28
Dez22

três cabeças.jpg 

Fotografia Renatas Jakaitis 

Resumindo, Alexandra Reis recebeu meio milhão de euros de indemnização ao ser "despedida" da TAP (empresa intervencionada monetariamente com alguns milhões pelo Estado português, vulgo contribuintes), parece que a  senhora engenheira ajudou a reestruturar a empresa, despedindo largas dezenas de trabalhadores, reduzindo salários, conduzindo os montantes a receber pelos trabalhadores...enfim, despachou-se rápido no seu trabalho e saiu mais cedo, foi pregar para outra freguesia.

Talvez seja escandaloso, mas parece que é prática habitual gestores e administradores (público/privado) de reestruturação de empresas (forma fina e elegante de dizer: despedimentos colectivos de trabalhadores), receberem ordenados chorudos por essa tarefa fundamental, e depois de a concretizarem em tempo recorde recebem ainda indemnização fabulástica, feitas as contas verifica-se que a empresa pouco dividiu pelos trabalhadores ( Trabalhadores: são seres que contribuíram ao longo do tempo - muitas vezes dezenas de anos - com a sua força de trabalho para a manutenção da empresa), deixou-se de ter encargos e chatices, o que se poupou deu e sobrou para o ordenado das criaturas e indemnização incluída.

Sempre tive a sensação que o despedimento era sinónimo de insucesso, mas parece-me que no caso de gestores/administradores/directores, o despedimento é considerado um caso de sucesso. Fico ainda a matutar se no currículo dessas pessoas consta a quantidade de vezes em que são despedidos (?), e se isso é um bom ou mau indicador para um futuro empregador(?), vistas as coisas, de uma maneira rápida, a indemnização é assim a modos como um prémio de produção. Finalmente: um olho no ordenado outro na indemnização. Bem bom, falta de vergonha na cara: nenhuma.

alexandra a voar.jpg 

Ilustração António Gaspar

 

 

Saúde Mental

Árvore de Natal

11
Dez22

onda.jpg  

Ilustração Alice Wellinger

Na teoria a saúde mental é muito falada, estudos, artigos de opinião, livros, especialistas, depois é o que se vê na prática, pode-se dizer quase tudo sobre uma pessoa a troco de visualizações, dinheiro, e pura maldade. Há também outra variante, que são as pessoas que se consideram muito francas, que se dizem sem filtros, para mim não são mais do que meros tolos, pois dizem tudo sem pensar, disfarçados pela capa de francos e sinceros, espalham a sua maldade a seu belo prazer, parece que é moda desrespeitar os outros, desde que seja na base da franqueza, coisa reles que alastra e é fácil fazer.

 

No meu sonho desfilam as visões, 
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos, 
Arrebatado em vastos turbilhões... 

Numa espiral, de estranhas contorções, 
E donde saem gritos e lamentos, 
Vejo-os passar, em grupos nevoentos, 
Distingo-lhes, a espaços, as feições... 

‑ Fantasmas de mim mesmo e da minha alma, 
Que me fitais com formidável calma, 
Levados na onda turva do escarcéu, 

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes? 
Quem sois, visões misérrimas e atrozes? 
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...

Poema Antero de Quental

 

  

 

Empatia

Árvore de Natal

09
Dez22

ratos.jpg Ilustração Vasco Gargalo

 

Os ratos invadiram a cidade
povoaram as casas os ratos roeram
o coração das gentes.
Cada homem traz um rato na alma.
Na rua os ratos roeram a vida.
É proibido não ser rato.

Canto na toca. E sou um homem.
Os ratos não tiveram tempo de roer-me
os ratos não podem roer um homem
que grita não aos ratos.
Encho a toca de sol.
(Cá fora os ratos roeram o sol).
Encho a toca de luar.
(Cá fora os ratos roeram a lua).
Encho a toca de amor.
(Cá fora os ratos roeram o amor).

Na toca que já foi dos ratos cantam
os homens que não chiam. E cantando
a toca enche-se de sol.
(O pouco sol que os ratos não roeram).
                              Poema de Manuel Alegre