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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ultramar, Angola, refugiados, Portugal, racismo, educação, memórias, lembranças, infância...

Vamos aprender a ler nas entrelinhas

31.07.20, Alice Alfazema
  Tirei estas fotografias para vos mostrar como era estudar em Angola nos anos 70 do século passado, muitos de vocês partilharão destas memórias, que até nem são minhas, são do meu marido. Estas páginas são de um livro da 1º classe, onde lhes era ensinado a ler as frases básicas do seu quotidiano.     Nós que por estes dias temos falado tanto em existir racismo em Portugal, esquecemos as feridas que nos foram impostas. A mim calhou-me um pai vindo do Ultramar, obrigado a (...)

As bolas e as riscas

24.07.20, Alice Alfazema
Estive a arrumar uma estante e fico sempre surpreendida com o lixo que acumulo. Nestes últimos tempos tenho conseguido livrar-me de bastantes coisas, o truque é fazer aos poucos, e deitar fora sem pensar, mais ou menos como quando esprememos uma borbulha, dói, mas tem de ser. O pior é que eu dantes nem acumulava nada, na Primavera fazia uma razia, agora é isto, mas não pode ser. Para além disso não tenho comprado coisas inúteis. Apenas o indispensável. Há meses que não coloco (...)

As passadeiras de praia

Lugares de risco

20.07.20, Alice Alfazema
  Ilustração  Marie Mainguy   As passadeiras de praia são lugares livres da pandemia, onde o turista pode andar livremente sem máscara, mesmo que ande a meio metro de outra pessoa que não conheça, o bicho não gosta de praia, nem sabe nadar. A areia é uma enorme aliada e protege os olhos dos perdigotos que possam querer se alojar nesses orifícios.    Uma passadeira de praia nunca poderá ser considerada um lugar de risco, a não ser que haja alguma tábua solta ou partida, (...)

Descanso

04.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Alice Caldarella   Apesar do descanso dos dias sinto-me cansada, exausta de pensar, pensar que não quero a vida que tinha, não quero aquela azáfama desvairada e já sem retorno. Finalmente dei-me conta do quanto estava cansada, e da minha insistência em não descansar. Um outro eu espreita e toma conta do meu cérebro, um eu mais egoísta, mais exigente, menos compreensivo com as desculpas. Esta mudança de pele é complexa, ouvi dizer que as cobras ficam mais (...)

O "branco" não existe

Miscigenação

18.06.20, Alice Alfazema
  Ilustração Rita Cardelli       (...)aos ‘brancos racistas portugueses’, aos que defendem uma hierarquização dos indivíduos com base nas suas diferenças físicas e comportamentais herdadas. Do ponto de vista biológico-genético e antropológico, não existem ‘raças’, apenas uma gama enorme de variações de traços físicos entre os seres humanos. O ‘branco’ não existe: a formação étnico-racial da nação portuguesa é resultado de um profundo processo de (...)