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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Não te deixes vencer pelo desânimo

04
Mai22

azulinho.jpg   Fotografia Guy Edwardes

 

Não deixes o final do dia sem teres crescido um pouco,
sem seres feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
 
Não te deixes vencer pelo desânimo,
não deixes ninguém tirar o direito de te expressares,
que é quase uma obrigação.
 
Não abandones o desejo de tornar a tua vida extraordinária,
não pares de acreditar nas palavras e na poesia,
elas podem mudar o mundo.
 
Não importa o que na nossa essência está intacta,
estamos cheios de seres de paixão,
e a vida é deserto e oásis,
nos derruba, nos fere,
nos ensina
ela nos faz protagonistas,
da nossa própria história.
 
Embora o vento sopre contra,
o trabalho potente continua,
tu podes fazer uma estrofe,
nunca pares de sonhar,
porque os sonhos são do homem livre.
 
Não caias num dos piores erros, o silêncio,
a maioria vive num silêncio terrível.
Não renuncies!
 
Ouve!
 
“Eu a emitir os meus uivos através do telhado do mundo”
diz o poeta.
 
Aprecia a beleza das coisas simples,
tu podes fazer bela poesia sobre as pequenas coisas!
 
Não podemos remar contra nós mesmos,
quem transforma a vida no inferno,
aproveita o pânico que provoca em ti,
tens a vida pela frente,
vive-la intensamente,
sem mediocridade.
 
Tu achas que és o futuro,
enfrenta a tarefa com orgulho e sem medo,
aprende com aqueles que podem ensinar-te,
as experiências daqueles que nos precederam
nossos “poetas mortos”.
Ajudando-te a caminhar pela vida
a sociedade de hoje, nós que somos os “poetas vivos”.
Não deixes a vida passar por ti sem a vida!
 
 
Poema Walt Whitman
 
 

Dia da Mãe, Dia do Trabalhador

Maio mês do coração

01
Mai22

 

IMG_20220501_174454.jpg  

Hoje assinala-se o dia da mãe e simultaneamente  o dia do trabalhador, em resumo começa também o mês dedicado ao coração, sem dúvida que estas duas dimensões da nossa vida - a mãe e a trabalhadora -  são grandes alavancas para fazer bombear o nosso coração, numa e noutra poderemos encontrar alegrias e tristezas que podem afectar, para o bem ou para o mal, o nosso coração. Cuidar do nosso coração exige esforço e equilíbrio entre estas duas áreas, e também naquilo que somos, o Eu - num acto torna-mo-nos três em um - somos o eu, a mãe e a trabalhadora. Descurar o eu não é tido muitas das vezes em conta, porque as outras duas dimensões agigantam-se de tal maneira que o eu revela-se apenas um apêndice.

Sabemos que trabalhar é um meio de sobrevivência, para nós e para as crias, ser mãe é também um acto de sobrevivência da espécie, que numa analogia poderá ser comparado a um salto de paraquedas, sabemos que vamos saltar, só não sabemos como vai correr, é inevitável, avassalador, incrível, assustador. Não haverá receita mágica para ser-se a melhor mãe, porque é um trabalho sem finitude, não há descanso no pensamento, nem no coração, fisicamente exigente vinte e quatro horas por dia.

Trabalhar poder-se-à reduzir-se a um mero horário, mas não é só isso, poucos são os que trabalham naquilo que gostam, como podemos proteger o nosso coração fazendo algo que não gostamos(?).

É muito difícil manter-mo-nos saudáveis nestas duas dimensões da nossa vida, alguma há-de falhar, ou resultar menos bem, se antes carregámos um mundo na barriga, agora sentimos que carregamos um mundo às costas.  

Em Portugal, apesar da Lei abranger o direito parental, ainda assistimos à discriminação salarial entre homens e mulheres, e sendo que um dos factores de discriminação é o facto de a mulher ser mãe ou vir querer a sê-lo, no nosso país a taxa de natalidade tem vindo a baixar, se por um lado isto deve-se aos baixos salários, também se deve às condições de empregabilidade onde vão sendo cada vez mais os horários desfasados com o seio familiar.

Ser-se mãe em Portugal é desgastante, exigente e por vezes humilhante em meio laboral e social, ainda não existe cultura social e política em benefícios que superem o ser-se mulher - mãe - trabalhadora.  Apenas o coração supera isso.

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Os lírios do campo

13
Mar22

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Certa madrugada fria

irei de cabelos soltos

ver como crescem os lírios.

 

Quero saber como crescem

simples e belos — perfeitos! —

ao abandono dos campos.

 

Antes que o sol apareça,

neblina rompe neblina

com vestes brancas, irei.

 

Irei no maior sigilo

para que ninguém perceba

contendo a respiração.

 

Sobre a terra muito fria

dobrando meus frios joelhos

farei perguntas à terra.

 

Depois de ouvir-lhe o segredo

deitada por entre lírios

adormecerei tranquila.

Poema de Henriqueta Lisboa

 

É verdade que as palavras deixaram de ter o seu significado original, será preciso criar uma nova identidade, uma criação absurda toldou-nos a percepção entre o bem e o mal, a mentira dita com serenidade pode atingir o mais ínfimo neurónio. 

Não são cartazes expostos nas paredes, nem murais com figuras alusivas à época, são imagens captadas em tempo real, 2022, destruição massiva, vidas entre vidas. O que são agora futilidades? Um pedaço de pão? Um filme cómico? Um amor não correspondido? Um copo de água? Um abraço? Uma noite de silêncio? Um campo verde? Uma estrada? Um vaso à janela?

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Operação militar especial

Особенная военная опера

09
Mar22

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Ilustração L7matrix

Matar é especial, invadir uma nação é especial, a destruição do património cultural tornou-se especial, o bombardeamento de cidades é especial, o envio de recrutas para combate é especial, a morte de crianças é especial, mais de um milhão de refugiados de guerra é especial, bombardear  creches e hospitais é especial, o terror tornou-se especial.