Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Gosto de ser velha

04
Nov25

ve 

Hoje apercebi-me que gosto genuinamente de ser velha, a maior das liberdades é aquela que vive em nós. 

A velhice deu-me uma maior clareza de pensamento, considero isso um bem maior. Num paralelo com a separação dos resíduos, plástico, cartão, vidro e indiferenciados,   é assim a lógica do pensamento na velhice, há coisas e pessoas que nos acrescentam e das quais não abdicamos porque de algum modo se encaixam nas nossas emoções, acções e hábitos diários. Nesta roda roda, há outras que nos usam como recipientes de vidro ou de plástico com tudo o que isso implica pela dinâmica do material em si, existem, ainda, as outras que nos usam como cartão, se for cartão limpo estamos quase safos, mas se o cartão for contaminado com gordura, aí perde-se a essência, e isso é mau.

Contudo,  a velhice permite-me assomar a uma liberdade plena de escolhas conscientes, que derivam do traquejo da vida, e coisas que antes tinham uma importância maior, passam a simples vírgulas que levam a determinadas explicações catalogadas como numa biblioteca, tal como na reciclagem transformam-se noutros significados,  entrando em processo de outra vida a utilidade multiplica-se. O valor? Isso depende da utilidade.

Extensão

19
Set25

Cátia Vidinhas 2.jpg 

Ilustração Cátia Vidinhas 

A nossa casa é como se fosse a palma da nossa mão, só a estendemos a quem queremos e gostamos, e mesmo que esteja suja ou desarrumada é infinitamente nossa. 

Quando a base é boa e a palma daquela mão se vira para cima é concha que nos atrai, qual pequeno tesouro encontrado num pedaço de areia banhada por água salgada.

Que tesouros são estes?, sem qualquer valor monetário, mas que enchem o nosso âmago de energia e vontade de viver os dias com sentimento de coração cheio.

Perguntaram-me, fazendo comparação entre duas pessoas, o que eu pensava de uma, pensei, mas não havia muito por onde comparar, também por desconhecimento, então respondi, não vejo isso assim por comparação, o que eu vejo é a felicidade da outra pessoa que está com ela, e se ele está feliz ou não é daí que retiro a minha conclusão.

E porque hoje é dia internacional do blog

31
Ago25

Logo pela manhã a Maribel relembrou-me que hoje é o dia internacional do blog, é muito interessante aquilo que reflecte neste postal do dia de hoje. 

FB_IMG_1756659916149.jpg

Este blog à beira mar plantado, literalmente,  do qual vos escrevo, tem quinze anos de vida, que este ano não assinalei, daqui me permito dar asas à escrita e à imaginação, se bem que não tenho sido muito assídua, mas isso é exactamente a liberdade que um blog nos dá, não vejo que tenha de haver arrependimentos, nem desculpas sobre isso, porque por vezes a vida nos leva a percorrer carreiros de cabras em que é difícil voltar à estrada, e foi exactamente isso que aconteceu, não que seja mau, quando está a acontecer parece, dói no corpo e na alma, mas depois é um despertar totalmente diferente, tal como viajar nos torna outros, ultrapassar obstáculos também nós dá sentimento de medalha ao peito.

FB_IMG_1756659924206.jpg

Quando comecei aqui a escrever, não precisava de óculos para o fazer, hoje tenho de colocá-los, os meus filhos eram menores de idade, nunca tinha tido um cão, não tinha uma licenciatura, de entre outras coisas, hoje tenho tudo isso, foi um longo caminho que percorri. Não tenho razões de queixa deste espaço, fui sempre bem recebida e acarinhada, algumas vezes mencionada por outros blogs e até pela Equipa do Sapo.

Gostaria de destacar especialmente que é muito gratificante a partilha das gentes que pertencem aos blogs do Sapo, recebo frequentemente comentários que me trazem mensagens das quais preciso naquele momento e que me levam a reflectir sobre o quanto fazemos falta uns aos outros, tenho contudo, saudades dos que se foram como brisas, fazem-me falta, quer pela sua escrita, quer pelo seu sentido de humor ou critico, no entanto é de relembrar, que “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

FB_IMG_1756659906676.jpg

As frases no fundo negro são uma homenagem a Luís Fernando Veríssimo, que nos deixou esta semana, e é isto, vamos perdendo as referencias, como fruta madura que fica no chão.