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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Idade maior

21.05.21, Alice Alfazema
Ilustração  Наталья Климова  Talvez a idade maior  para nós mulheres seja quando ultrapassamos a barreira dos cinquenta, deixamos para trás as grandes dúvidas, o pensamento torna-se límpido apesar de todas as lutas travadas contra a menopausa e as hormonas. Há uma liberdade interior que é até capaz de nos libertar da imagem que existe no espelho. Verificamos que tudo aquilo que é escrito nas revistas sobre beleza e afins não tem importância alguma, que o (...)

Mães refugiadas

02.05.21, Alice Alfazema
Para muitas mães, o simples acto de ser mãe exige muito mais do que parir, dar colo, carinho, comida, amor, roupa e cama lavada. É para além disso tudo, uma enorme vontade e espírito de resiliência, que se distancia de um simples lugar de estacionamento em frente a uma escola para deixar o filho, onde não há a pressa em escolher a indumentária do dia, ou a preocupação de qual o legume favorito. Não é apenas uma luta por viver, mas também de sobreviver à crueldade do local, (...)

Rugas

26.12.20, Alice Alfazema
Fotografia de Artur Pastor, Póvoa do Varzim, Portugal, décadas 50/60, séc. XX.    As rugas fazem-me lembrar as páginas de um livro, como se em cada uma houvesse passagens diferentes, diálogos, lembranças, tristezas, o tempo, o tempo que foi preciso para que cada uma delas se tornasse visível, o que levou a que isso acontecesse e as outras que vão surgindo, sobrepondo-se a todas as outras, e aquelas já profundas, e as que emergem quando um riso força as instaladas a serem (...)

Mulheres

28.01.20, Alice Alfazema
  Ilustração Catrin Welz-Stein     Há mulheres que trazem o vento no corpo. Irmãs das tempestades, são cúmplices dos seus próprios naufrágios. Ficam suspensas nos seus dedos de água quando é suave a sua ancoragem. À noite repousam exaustas. Procuram nas margens dos rios e no emaranhado dos bosques um lugar onde remansear a tortura das ondas que as assolaram. A almofada sabe-lhes a nuvem, a novelos leves de algodão onde submergem a face e sorriem ao sono. Acordam com a (...)