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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Cinquentas - Eu

31.07.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Francesca Escobar   Cinquenta são: 5x10. São cinco anos em cada dedo das mãos. Cinquenta Verões, cinquenta Invernos. Cinquenta brindes.   A Isabel, lançou o desafio de falar do que é ter cinquenta anos, e eis-me aqui reflectindo sobre o assunto. O que senti ao fazer cinquenta anos de vida? Senti que tinha ultrapassado (...)

#diariodagratidao 03-03-2019

03.03.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Rofuz Kinga   Você merece um amor que a ame quando você estiver despenteada, aceitando as razões que a fazem acordar rapidamente, e os medos que não permitem que você durma.   Você merece um amor que faça com que você se sinta segura. Que a ajude a conquistar o mundo ao pegar em sua mão, que sinta que seus abraços se encaixam perfeitamente com sua pele.   Você merece um amor que deseje estar ao seu lado, visitar o paraíso apenas olhando seus olhos, e que (...)

Para fazer o melhor do mundo é preciso um bocado de tristeza

26.01.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Jungsuk Lee   Nuvens lentas passavam Quando eu olhei o céu. Eu senti na minha alma a dor do céu Que nunca poderá ser sempre calmo.   Quando eu olhei a árvore perdida Não vi ninhos nem pássaros   Eu senti na minha alma a dor da árvore Esgalhada e sozinha Sem pássaros cantando nos seus ninhos.   Quando eu olhei minha alma Vi a treva. Eu senti no céu e na árvore perdida A dor da treva que vive na minha alma.   Vinícius de Moraes          

Negrume

10.01.19, Alice Alfazema
  Ilustração Beatrix Papp      Hoje quando ia caminho de casa vi um vulto a correr para uma carrinha, daquelas de transportes escolares, assustei-me e não percebi logo o que se passava. Era uma mulher. Uma mulher de burca negra, que conforme corria levantava as saias e deixava ver umas vestes coloridas por baixo daquele negrume.    Um coisa é vermos fotografias destas vestes, outra é vermos ao vivo e a cores. É uma realidade e um fardo para muitas mulheres. Não creio que se (...)

#MEDOO

05.10.18, Alice Alfazema
Quando eu tinha dez anos de idade andava no 1º ano do ciclo preparatório, vulgo 5º ano hoje em dia, eu era uma miúda teimosa e não alinhava naquilo que os outros queriam. Os pais não nos iam buscar à escola e era frequente os rapazes apalparem as raparigas à saída da escola, ou tínhamos que sair primeiro que eles ou esperar que passasse a enxurrada de gente, e aí então podíamos sair calmamente sem termos de estar constantemente a olhar para trás.   Eu vinha habituada a (...)