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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Mulheres

28.01.20, Alice Alfazema
  Ilustração Catrin Welz-Stein     Há mulheres que trazem o vento no corpo. Irmãs das tempestades, são cúmplices dos seus próprios naufrágios. Ficam suspensas nos seus dedos de água quando é suave a sua ancoragem. À noite repousam exaustas. Procuram nas margens dos rios e no emaranhado dos bosques um lugar onde remansear a tortura das ondas que as assolaram. A almofada sabe-lhes a nuvem, a novelos leves de algodão onde submergem a face e sorriem ao sono. Acordam com a (...)

Cinquentas - Eu

31.07.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Francesca Escobar   Cinquenta são: 5x10. São cinco anos em cada dedo das mãos. Cinquenta Verões, cinquenta Invernos. Cinquenta brindes.   A Isabel, lançou o desafio de falar do que é ter cinquenta anos, e eis-me aqui reflectindo sobre o assunto. O que senti ao fazer cinquenta anos de vida? Senti que tinha ultrapassado (...)

#diariodagratidao 03-03-2019

03.03.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Rofuz Kinga   Você merece um amor que a ame quando você estiver despenteada, aceitando as razões que a fazem acordar rapidamente, e os medos que não permitem que você durma.   Você merece um amor que faça com que você se sinta segura. Que a ajude a conquistar o mundo ao pegar em sua mão, que sinta que seus abraços se encaixam perfeitamente com sua pele.   Você merece um amor que deseje estar ao seu lado, visitar o paraíso apenas olhando seus olhos, e que (...)

Para fazer o melhor do mundo é preciso um bocado de tristeza

26.01.19, Alice Alfazema
  Ilustração  Jungsuk Lee   Nuvens lentas passavam Quando eu olhei o céu. Eu senti na minha alma a dor do céu Que nunca poderá ser sempre calmo.   Quando eu olhei a árvore perdida Não vi ninhos nem pássaros   Eu senti na minha alma a dor da árvore Esgalhada e sozinha Sem pássaros cantando nos seus ninhos.   Quando eu olhei minha alma Vi a treva. Eu senti no céu e na árvore perdida A dor da treva que vive na minha alma.   Vinícius de Moraes