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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Quem ama cuida

11
Ago21

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É hora de almoço, num dia vulgar de Agosto, a brisa corre lenta entre a folhagem das árvores, a voz doce de uma mulher chama num jeito morno dizendo: venham está na hora de comer. E uma algazarra de asas ergue-se à sua volta. Ali tudo está calmo, nenhum som a mais nem a menos. Como se as palavras fossem ditas em silêncio. Sente-se no ar a harmonia. 

 

 

 

Idade maior

21
Mai21

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Ilustração  Наталья Климова 

Talvez a idade maior  para nós mulheres seja quando ultrapassamos a barreira dos cinquenta, deixamos para trás as grandes dúvidas, o pensamento torna-se límpido apesar de todas as lutas travadas contra a menopausa e as hormonas. Há uma liberdade interior que é até capaz de nos libertar da imagem que existe no espelho. Verificamos que tudo aquilo que é escrito nas revistas sobre beleza e afins não tem importância alguma, que o mais importante é o nosso bem estar. Verificamos também que a sexualidade e sensualidade tem mais a ver com a autoestima do que com as marcas que se tem na pele, ser gorda ou magra, ser feia ou bonita tal como foi-nos  apregoado ao longo da nossa vida. A idade maior é assim como a quase chegada ao cume da montanha, vamos caminhando mais devagar para aproveitar melhor a paisagem, porque sabemos que o cume se aproxima e é o máximo que vamos poder ter. 

Mães refugiadas

02
Mai21

Para muitas mães, o simples acto de ser mãe exige muito mais do que parir, dar colo, carinho, comida, amor, roupa e cama lavada. É para além disso tudo, uma enorme vontade e espírito de resiliência, que se distancia de um simples lugar de estacionamento em frente a uma escola para deixar o filho, onde não há a pressa em escolher a indumentária do dia, ou a preocupação de qual o legume favorito. Não é apenas uma luta por viver, mas também de sobreviver à crueldade do local, à guerra, às alterações climáticas, à violência, na procura incessante de uma vida mais digna. Ou mesmo entre a vida e a morte. Uma mulher nestas condições não vive apenas o seu sofrimento, mas o de todos os seus filhos, como se fossem um ser único.

 

Amã/Nova Iorque, 15 de março de 2020 – Cerca de 4,8 milhões de crianças nasceram na Síria desde o início do conflito, nove anos atrás. Outros 1 milhão nasceram como refugiadas nos países vizinhos. Elas continuam a enfrentar as consequências devastadoras de uma guerra brutal. 

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© ACNUR/Rocco Nuri

Christine morava no Sudão do Sul e, mesmo grávida, precisou fugir depois que sua cidade sofreu ataques violentos. Por três dias, caminhou com seus dois filhos sem água ou comida. A pequena Anwech veio ao mundo dois dias depois de finalmente chegarem a Uganda. 

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© ACNUR/Viktor Pesenti

Annabel deixou a Venezuela quando a comunidade onde vivia foi atacada por forças armadas. Ela e os filhos fugiram durante a noite levando apenas alguns pertences. Eles tiveram que escalar montanhas rochosas até chegar ao Brasil. Annabel estava grávida de três meses durante essa difícil jornada. 

 

 

Rugas

26
Dez20

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Fotografia de Artur Pastor, Póvoa do Varzim, Portugal, décadas 50/60, séc. XX. 

 

As rugas fazem-me lembrar as páginas de um livro, como se em cada uma houvesse passagens diferentes, diálogos, lembranças, tristezas, o tempo, o tempo que foi preciso para que cada uma delas se tornasse visível, o que levou a que isso acontecesse e as outras que vão surgindo, sobrepondo-se a todas as outras, e aquelas já profundas, e as que emergem quando um riso força as instaladas a serem colocadas para segundo plano por breves instantes.

 

Uma vida, escrita na cara, esculpida sem darmos conta, a pele curtida desfeita de tudo, a boca murcha, os olhos escondidos numa concha. São montes e vales, quantos pôr-de-sol, primavera e verão sorvendo as magoas. Quando de ti podemos ler na tua cara?