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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Uma pergunta por dia: Porque acreditamos tanto nos homens e mulheres e tão pouco na Natureza?

08.12.14, Alice Alfazema
 Ilustração Alexander Bazarin   Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas... O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas Vivem, livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo! envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem: Na glória da alegria e da bondade, Agasalh (...)

40 anos de Abril

24.04.14, Alice Alfazema
Hoje é véspera de Abril, daquele de 74, do século passado, do milénio passado, aquele de há quarenta anos. Os cravos estariam murchos se resistissem até hoje, mas os cravos renovam-se, vermelhos, a cada ano.    Naquele tempo eu era pequena, tinha ainda mãos pequeninas, não sabia de nada, apenas ouvia conversas e músicas que se repetiam. Nesse dia lembro-me da mão da minha mãe apertando a minha, com força, não pude subir a ladeira a correr e fomos para casa, os vizinhos (...)

Março mês da Mulher: Mulheres empregadas domésticas

15.03.14, Alice Alfazema
  Às vezes oiço conversas interessantes sobre empregadas domésticas, deixo aqui alguns diálogos.    Eu trabalho em casa de uma senhora, faço o comer e arrumo a casa e o jardim. No outro dia tive de limpar a caca que estava no sapato do miúdo, vê lá que esperaram pela segunda-feira para eu limpar aquela porcaria.   Eu nas limpezas grandes tenho de lavar o telhado, eles têm um escadote grande e eu subo para cima do telhado e lavo-o à mangueirada.    Não entendo por que é (...)

Março mês da Mulher: Mulheres-mula

11.03.14, Alice Alfazema
  Fardos enormes estão por toda parte, todos embrulhados em papelão e pano presos com fita adesiva e corda. E sob os imensos fardos, escondidas e encurvadas pelo tamanho de suas cargas, estão as mulheres marroquinas, as "mulheres-mula" de Melilla, conhecidas localmente como porteadoras.   Esse comércio ocorre todos os dias no Barrio Chino, na fronteira entre Melilla e o Marrocos, por onde só passam pedestres.    Algumas delas fazem três ou quatro viagens por dia através da (...)

Março mês da Mulher: Mulher oleira

10.03.14, Alice Alfazema
  Bela Alves, 39 anos de idade e oleira há 14, aprendeu o ofício com o mestre Joaquim Oliveira, entretanto falecido, e hoje continua a “dar à luz” ‘cantarinhas de namorados’, na sua oficina instalada na Plataforma das Artes, em Guimarães.   Segundo a tradição, quando um rapaz se dispunha a fazer o pedido oficial de casamento oferecia primeiro à namorada uma cantarinha, moldada em barro. Se a prenda fosse aceite, estava formalizado o pedido particular, passando a depender (...)