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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Passeio em família

25
Ago21

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Você não precisa ser bom.
Você não precisa andar de joelhos, arrependido,
milhares de milhas pelo deserto.
Você precisa apenas permitir ao animal suave do seu corpo
amar o que ama.
Fale-me sobre desespero, os seus, e eu falarei a você os meus.
Enquanto isso a vida segue.
Enquanto isso o sol e os cristais límpidos da chuva
atravessam as paisagens, movendo-se
sobre pradarias e árvores profundas,
montanhas e rios.
Enquanto isso, alto no ar azul claro, os gansos selvagens
voltam para casa outra vez.
Quem quer que você seja, não importa quão solitário,
o mundo se oferece à sua imaginação,
chama você como aos gansos selvagens, bruto e excitante –
de novo e sempre anunciando o seu lugar
na família das coisas.

 

 

Poema de Mary Oliver, tradução Yasmin Nigri

 

A vida é um acto de mudança

03
Abr13

 

Por vezes as ideias parecem repetidas, mas merece a pena relembrar:

 

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!


Edson Marques, Mude


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Alice Alfazema

Março

01
Mar13

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Mário Quintana


Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: As emoções são o principal alimento humano?

02
Dez12

 

Toda a candura

da nossa vida

se resumia

naquela flor

 

Teria pétalas?

Tinha-as, talvez.

Mas, não havia

naquela flor

p´ra nossos olhos

senão a cor.

 

Vinha do mato.

Vinha colhida

por mãos de Poeta.

Vinha beijada

pelos meus lábios

de Namorado.

 

Perfume, tinha-o.

(Seria Perfume?

Quem sabe lá

se era perfume

se era a exata

rara expressão

de quanto penso

da tua alma?)

Flor peregrina.

Flor destinada

desde a raiz

a pôr candura

na nossa vida.

Virá Agosto,

Virá Setembro...

 

Flor conservada

dentro de nós

p´ra que em Janeiro

surja do mato.

 



Sebastião da Gama

 

 

Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.



Alice Alfazema