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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Diário dos meus pensamentos (39)

27.04.20, Alice Alfazema
  Ilustração Harry Tennant   desenterrei do meu baú a pipa construída num sonho. percebi que não sei pedalar em linha reta, que tenho nos joelhos uma fissura de loucura de viver em mar aberto. sinto saudade do seu nome como quem tira as botas ensanguentadas ao regressar da guerra. mergulho meu peito palácio em água fervente e admiro religiosamente a foto que consta no rg recém fraudado. é preciso dizer aos viajantes que as dunas são proibidas embora bonitas. assim como fechar (...)

Diário dos meus pensamentos (24)

12.04.20, Alice Alfazema
  Nestes dias de festa não me apetece falar muito, é talvez a falta de gente que já se foi que me faz ficar assim, a falta dos risos e das vozes. Depois no dia seguinte tudo volta ao normal. Se hoje fosse um dia igual a tantos outros, em que estivesse em casa, teria ido beber café à beira-mar, caminhado na areia, sentar-me-ia na areia e iria escutar o mar. Pensaria em milhões de verdades e de mentiras, procuraria espantar os meus fantasmas e as bestas andantes que conheço. Estaria (...)

Diário dos meus pensamentos (17)

05.04.20, Alice Alfazema
Hoje é domingo, o último antes da Páscoa, choveu e fez frio. Continuo na minha tarefa de fazer a coronamanta, está a bom ritmo, já tenho poucas cores, não sei como ficará no fim, talvez mais desmaiada, logo se vê, o que interessa é fazê-la. O dia foi tranquilo, vi o concerto do José Cid no Campo Pequeno, gostei, gostei muito, e sinto que foi tão  bom crescer com pessoas assim, que nos fazem pensar. Apesar desta tranquilidade domingueira em minha casa, sinto que no andar de (...)

Diário dos meus pensamentos (16)

04.04.20, Alice Alfazema
Estive a enumerar este diário para que ficasse mais fácil de perceber isto, assim já lá vão dezasseis dias, é isto, parece que o tempo passa devagar, mas não. Neste momento o meu filho está a declamar o poema Mostrengo, eu sou o júri e vou avaliar a declamação. Qual é o pior mostrengo que podemos enfrentar por estes dias? Será o tempo? A falta de paciência? A ansiedade? O medo? A desinformação? O vizinho que teima em cantar? O badalhoco que deita luvas e máscaras para o (...)