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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Em linha

10.01.21, Alice Alfazema
  Há dias em que penso que já nasci velha e que apenas a Natureza me conseguiu sempre surpreender, todas as outras situações societais são assim como que uma simples confirmação daquilo que conheço, umas vezes a uma escala mais pequena, outras numa maior. Como se fossem ciclos viciados no tempo, em analogias de diferentes cenários, assim como na matemática. Numa sequência interligada de factores e indicadores que juntos dão origem a conclusões que já foram validadas em (...)

Densidade

06.12.20, Alice Alfazema
Ilustração Lynn Bywaters     No alto da duna o Búzio estava com a tarde. O sol pousava nas suas mãos, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros. Esteve algum tempo calado, depois devagar começou a falar. Eu entendi que ele falava com o mar, pois o olhava de frente e estendia para ele as suas mãos abertas, com as palmas em concha viradas para cima. Era um longo discurso claro, irracional e nebuloso que parecia, como a luz, recortar e desenhar todas as coisas. Não posso repetir (...)

31 de outubro de 2020

31.10.20, Alice Alfazema
  Ilustração German Rubio Sierra   Não sei se a Lua se estará a rir de nós, dá-me a sensação de que sim. Talvez ela, lá de cima consiga alcançar muito mais do que nós aqui em baixo. Ou talvez a sua memória seja mais selectiva que a nossa e se lembre de que tudo não passa de ciclos. E quantos já vivemos e ultrapassamos? Será este agora uma situação nova? Ou estará a Lua cheia de razão?  Sobre o espelho de água este brilho me acompanha, e me segue os passos à (...)

Cama

24.09.20, Alice Alfazema
Ilustração Virginia Mori     Eu gostava de ter uma cama de mar azul brilhante. Que fosse sempre feita e desfeita numa cadência ritmada de um maestoso. Onde eu pudesse descansar nas ondas e sentir o aveludado da água na minha pele. Nem sonhos de sereias, nem de medusas monstruosas e venenosas. Apenas sonhos de peixinhos e conchas com algas leves e coloridas. E ouvir a voz do mar, com o som que há dentro dos búzios.       

Dias de vento e com os ventos

20.09.20, Alice Alfazema
   O meu olhar de tanto marfixou-se numa nuvem de vento.Dispo-me de gaivotasquando é o teu olhar com asasque me solta e agarra,pois dois sentidos morampara além de nós,nos habitam e esperamsentados aos tropeçõesdentro dos nossos corpos.São aves de muitas ondas,as que nos beijam.A hora chegou com o seu gume.Amor,volto a partir com os ventos.    Poema de Lília Tavares, in Parto com os ventos