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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

somos nós o vento

29.07.21, Alice Alfazema
    O mar é longeO mar é longe, mas somos nós o vento;e a lembrança que tira, até ser ele,é doutro e mesmo, é ar da tua bocaonde o silêncio pasce e a noite aceita. Donde estás, que névoa me perturbamais que não ver os olhos da manhãcom que tu mesma a vês e te convém? Cabelos, dedos, sal e a longa pele,onde se escondem a tua vida os dá;e é com mãos solenes, fugitivas,que te recolho viva e me concedoa hora em que as ondas se confundeme nada é necessário ao pé do mar.  Po (...)

A-o mar

23.07.21, Alice Alfazema
Ilustração Raul Colon  Eu te baptizo em nome do mar,disse minha mãe com barcos na voz.E as ondas enlearam nas águas o meu nome,abrindo nas fendas do corpo um impulsosalgado que me brandiu o sangue.Sei agora que há âncoras afogadasnos meus olhos: nítido eco de todas as demandas.  Poema de Graça Pires

Estrela do mar

07.07.21, Alice Alfazema
Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte e em que o sono parecia disposto a não vir fui estender-me na praia sozinho ao relento e ali longe do tempo acabei por dormir ✩   Acordei com o toque suave de um beijo e uma cara sardenta encheu-me o olhar ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar ✩ Sou a estrela do mar só a ele obedeço, só ele me conhece só ele sabe quem sou no princípio e no fim só a ele sou fiel e é ele (...)

O dia de hoje

14.04.21, Alice Alfazema
A chuva caiu, durante quase todo o dia, de mansinho, levando frescura ao verde novo das folhas das minhas árvores. Este ano estão cheias de folhas, onde os pássaros poisam para cantar logo de manhãzinha. Por cima delas as andorinhas ensaiam os seus voos rasantes, um melro dá a despertina sempre à mesma hora. A chuva trouxe  mais cor aos telhados, deixando a descoberto o vermelho barro. Hoje o sol tirou folga, e as nuvens cinzentas e gordas andaram numa fona trazendo a água do mar (...)

22

22.03.21, Alice Alfazema
  O que é que este poeta faz? Poemas, respondi eu. Para que servem? Para muitas coisas. Há poemas que servem para ver o mar.     Poema de Afonso Cruz