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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A cada flor cada cidade

28
Fev22

mãos.jpg

Ilustração Chris Buzelli
 
 
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
 
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
 
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
 
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
 
 
Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

O pão de cada dia

16
Out10

 

 

Que o pão encontre na boca
O abraço de uma canção
inventada no trabalho
Não a fome fatigada
de um suor que corre em vão

Que o pão do dia não chegue
sabendo a resto de luta
e a troféu de humilhação
Que o pão seja como flor
festivamente colhida
por quem deu ajuda ao chão

Mais do que flor, seja o fruto
nascendo límpido e simples
sempre ao alcance da mão
Da minha e da tua mão 

Thiago de Mello, Barreirinha, Brasil