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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vidas paralelas

22.11.20, Alice Alfazema
Ilustração João Fazenda   Coloquei o bolo no forno, mas antes fiz a massa a preceito, batendo as claras até ficarem leves, depois envolvi-as no resto da massa tendo o cuidado de não bater em demasia o preparado. Tinha muita fé nisso, que o bolo ia subir e ficar fofinho. Uma delícia. Coloquei o bolo no forno, e passados cinco minutos espreitei, abri a porta do forno muitas vezes, na esperança de acompanhar melhor o seu (...)

Olhos

06.10.20, Alice Alfazema
Ilustração Andy Warhol   Andar de máscara para quem é expressivo enquanto fala e pensa é tramado. Dou por mim a esbugalhar os olhos de cada vez que vejo algo que me intriga ou que me surpreende. Quando sinto os olhos quase fora das órbitas, sei que estou a ultrapassar os limites da boa educação. Obrigo-me então a mudar a expressão, mas por vezes sei que não sou suficientemente rápida para reverter a situação. Com a cara semitapada e sem opção de conter a criatividade (...)

O Pássaro da Cabeça

02.05.20, Alice Alfazema
Ilustração Ira Khvan   Sou o pássaro que canta dentro da tua cabeça, que canta na tua garganta, que canta onde lhe apeteça. Sou o pássaro que voa dentro do teu coração e do de qualquer pessoa (mesmo as que julgas que não). Sou o pássaro da imaginação que voa até na prisão e canta por tudo e por nada mesmo com a boca fechada. E esta é a canção sem razão que não serve para mais nada senão para ser cantada quando os amigos se vão e ficas de novo sozinho na solidão que (...)