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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Ultramar, Angola, refugiados, Portugal, racismo, educação, memórias, lembranças, infância...

Vamos aprender a ler nas entrelinhas

31.07.20, Alice Alfazema
  Tirei estas fotografias para vos mostrar como era estudar em Angola nos anos 70 do século passado, muitos de vocês partilharão destas memórias, que até nem são minhas, são do meu marido. Estas páginas são de um livro da 1º classe, onde lhes era ensinado a ler as frases básicas do seu quotidiano.     Nós que por estes dias temos falado tanto em existir racismo em Portugal, esquecemos as feridas que nos foram impostas. A mim calhou-me um pai vindo do Ultramar, obrigado a (...)

A última página

19.07.20, Alice Alfazema
Ilustração Irene Blasco   Sentei-me e quando me levantei era outra. Li e quando acabei de ler as minhas ideias ficaram mais fluidas. Sorri e aliviei a pressão do meu não sorriso. Naquele pedaço de tempo viajou por onde queria uma mulher sentada, parecia que não saía do lugar, enquanto folheava as páginas daquele livro que continha grãos de areia da sua praia favorita, nalgumas folhas haviam manchas de sal, daquele mar especial, podia ter posto um marcador de madre-pérola, mas (...)

Julho 1944

Auschwitz

02.07.20, Alice Alfazema
  Quando brilhou a aurora, dissolveram-se Entre a luz as florestas encantadas, Arvoredos azuis e sombras verdes, Como os astros da noite embranqueceram Através da verdade da manhã.   Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia, 1944   Tenho estado a ler sobre Auschwitz, Julho de 1944, é-me difícil de ler, tenho-o lido aos poucos, continuo surpreendida com as atrocidades ali cometidas, com a banalização do sofrimento, com a brutalidade da morte, da morte lenta, da morte através (...)

Conversas da escola - O estupor da folha

29.06.20, Alice Alfazema
Uma senhora vem acompanhada, ou é acompanhante, de bebé de colo, criancinha de três anos e uma miúda de dez anos...vêm todos entregar os manuais da mana mais velha. O livro de português tem a folha de rosto escrita, como todos sabem, (alguns ainda continuam por saber), não é para escrever nos manuais, porque os manuais são para ser reutilizados, blá, blá, blá...Ora se a folha de rosto do livro de português está escrita o que fazemos?  1- Apagamos o que está escrito. 2- (...)

As palavras que estão nos livros, o destino e as circunstâncias

23.06.20, Alice Alfazema
    - Olhe,  Daniel. O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira, ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.       Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu (...)