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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

"O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros."

04.08.21, Alice Alfazema
Pintura Nikolay Bogdanov-Belsky   O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros.As tardes vão-se repetindo no terraço, onde as palavrassão pequenos lugares de memória. Estou divorciada dosoutros pelo tempo destas entrelinhas - longe de casa,tenho sonhos que não conto a ninguém, viro devagar a primeira página: em fevereiro ainda faziam amor (...)

Chega-te até mim

14.11.20, Alice Alfazema
Fotografia Tetty Bracard   Vem até mim, estou do outro lado do caminho parecem dizer as árvores umas às outras, posicionando-se lado a lado, como num baile antigo, e lá bem no alto quase que se tocam com uma delicadeza respeitosa, juntas e de porte altivo erguem-se para ver as estrelas, talvez orando ao universo, e deixando passar o sol até ao chão, todos somos um.   As árvores como os livros têm folhas e margens lisas ou recortadas, e capas (isto é copas) e capítulos de (...)

No rio que nadamos agora

24.10.20, Alice Alfazema
  Ilustração Brian Fitzgerald   Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. Para os que entram nos mesmos rios, correm outras e novas águas.   Heráclico, Fragmentos             

O ano do Rato com asas

15.10.20, Alice Alfazema
Ilustração  Agnès Boulloche   Se tivesses que escrever um livro para descreveres este ano de 2020 que titulo lhe darias? O meu seria: O ano do Rato com asas.  Outras sugestões:  Imsilva -  "Quando a normalidade passou a loucura" ou " Quando a loucura passou a normalidade" Miss X -  O ano em que a Terra parou. Cheia

Ultramar, Angola, refugiados, Portugal, racismo, educação, memórias, lembranças, infância...

Vamos aprender a ler nas entrelinhas

31.07.20, Alice Alfazema
  Tirei estas fotografias para vos mostrar como era estudar em Angola nos anos 70 do século passado, muitos de vocês partilharão destas memórias, que até nem são minhas, são do meu marido. Estas páginas são de um livro da 1º classe, onde lhes era ensinado a ler as frases básicas do seu quotidiano.     Nós que por estes dias temos falado tanto em existir racismo em Portugal, esquecemos as feridas que nos foram impostas. A mim calhou-me um pai vindo do Ultramar, obrigado a (...)