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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Gaiolas

21.11.20, Alice Alfazema
Ilustração Wouter Tulp   Como paredes através das quais o mundo vemos pelo ser dos outros quem vamos conhecendo nos rodeia multiplicando as faces da gaiola de que se tece em volta a nossa vida. No espaço dentro (mas que não depende do número de faces ou distância entre elas) nós somos quem somos: só distintos de cada um dos outros, para quem apenas somos a face em muitas, pelo que em nós se torna, além do espaço, uma visão de espelhos transparentes. Mas o que nos (...)

Estamos na corrida

10.10.20, Alice Alfazema
    Ilustração Alê Abreu   Estamos na corrida para o fim-de-semana, estamos na corrida para as férias, para a sexta-feira, para o final do dia, para a reforma, para a velhice e para a morte. E estamos em tantas outras corridas que nem damos por elas. Estamos na corrida das mentiras, da desinformação e da agitação mental, num mundo dito de normal, como se fosse normal andarmos todos a correr contra o tempo. Talvez seja por isso que as dores se agudizem, que os ossos estalem, (...)

O Pássaro da Cabeça

02.05.20, Alice Alfazema
Ilustração Ira Khvan   Sou o pássaro que canta dentro da tua cabeça, que canta na tua garganta, que canta onde lhe apeteça. Sou o pássaro que voa dentro do teu coração e do de qualquer pessoa (mesmo as que julgas que não). Sou o pássaro da imaginação que voa até na prisão e canta por tudo e por nada mesmo com a boca fechada. E esta é a canção sem razão que não serve para mais nada senão para ser cantada quando os amigos se vão e ficas de novo sozinho na solidão que (...)

25 de Abril de 1974 - 2020

25.04.20, Alice Alfazema
Eu cresci a sentir o 25 de Abril, ainda era muito miúda quando a Revolução aconteceu, lembro-me de a minha mãe ir-me buscar à escola, não era a escola primária, mas numa casa de uma antiga professora primária, eu tinha cinco anos, estávamos numa sala única, com mesas pequeninas de madeira, como se fosse uma pré-primária, havia um quadro negro e uma casa de banho minúscula, ficava num primeiro andar, daqueles em que a escada é de madeira e os degraus são demasiado estreitos e (...)