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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O Pássaro da Cabeça

02.05.20, Alice Alfazema
Ilustração Ira Khvan   Sou o pássaro que canta dentro da tua cabeça, que canta na tua garganta, que canta onde lhe apeteça. Sou o pássaro que voa dentro do teu coração e do de qualquer pessoa (mesmo as que julgas que não). Sou o pássaro da imaginação que voa até na prisão e canta por tudo e por nada mesmo com a boca fechada. E esta é a canção sem razão que não serve para mais nada senão para ser cantada quando os amigos se vão e ficas de novo sozinho na solidão que (...)

25 de Abril de 1974 - 2020

25.04.20, Alice Alfazema
Eu cresci a sentir o 25 de Abril, ainda era muito miúda quando a Revolução aconteceu, lembro-me de a minha mãe ir-me buscar à escola, não era a escola primária, mas numa casa de uma antiga professora primária, eu tinha cinco anos, estávamos numa sala única, com mesas pequeninas de madeira, como se fosse uma pré-primária, havia um quadro negro e uma casa de banho minúscula, ficava num primeiro andar, daqueles em que a escada é de madeira e os degraus são demasiado estreitos e (...)

Crónicas de um cão em tempos de quarentena

O melhor

19.04.20, Alice Alfazema
Estou farto dos meus donos. Ainda não estou completamente porque senão teria colocado um ponto de exclamação na frase. Continuo a dormir muito mal nas sestas. Há sempre alguém a interromper-me o sono reparador. Estou a ficar com o pêlo ralo de tanto levar "festinhas". Cada vez tenho menos paciência para os aturar, a eles e aos vizinhos de baixo, ora é o miúdo que grita, ora grita a mãe do miúdo, até o pai do miúdo já grita. Um dia destes vou lá abaixo e dou uma dentada a (...)