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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A-o mar

23.07.21, Alice Alfazema
Ilustração Raul Colon  Eu te baptizo em nome do mar,disse minha mãe com barcos na voz.E as ondas enlearam nas águas o meu nome,abrindo nas fendas do corpo um impulsosalgado que me brandiu o sangue.Sei agora que há âncoras afogadasnos meus olhos: nítido eco de todas as demandas.  Poema de Graça Pires

Estrela do mar

07.07.21, Alice Alfazema
Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte e em que o sono parecia disposto a não vir fui estender-me na praia sozinho ao relento e ali longe do tempo acabei por dormir ✩   Acordei com o toque suave de um beijo e uma cara sardenta encheu-me o olhar ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar ✩ Sou a estrela do mar só a ele obedeço, só ele me conhece só ele sabe quem sou no princípio e no fim só a ele sou fiel e é ele (...)

Viver livres

14.06.21, Alice Alfazema
Há momentos em que me sinto livre, são momentos fugazes em que o meu cérebro me leva aonde fisicamente é impossível estar neste tempo agrilhoado na situação pandémica.    Um dia, gastos, voltaremosA viver livres como os animaisE mesmo tão cansados floriremosIrmãos vivos do mar e dos pinhais..O vento levará os mil cansaçosDos gestos agitados irreaisE há de voltar aos nossos membros lassosA leve rapidez dos animais..Só então poderemos caminharAtravés do mistério que se embala (...)

Ao abandono ou a caminho da Liberdade?

02.06.21, Alice Alfazema
Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua. Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem. Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.   Sim: existo dentro do meu corpo. Não trago o sol nem a lua na algibeira. Não quero conquistar mundos porque dormi mal, Nem almoçar o mundo por causa do estômago. Indiferente? Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso, Um momento no ar que não é para nós, E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra, Traz! na realidade que não falta!