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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Futuro

Árvore de Natal

10
Dez22

maria.jpg 

Ilustração Clint Cearley

Trouxe as palavras e colocou-as sobre a mesa.
Trouxe-as dentro das mãos fechadas (alguns disseram
que apenas escondia as feridas do silêncio).

Pousou-as na mesa e começou a abri-las devagar,
tão devagar como passa o tempo quando o tempo
não passa. E depois distribui-as pelos outros,
multiplicou-se em dedos, em palavras (alguém disse
que chegariam a todos, ultrapassariam os séculos e
teriam a duração do tempo quando o tempo perdura).

Ceou com todos pão que não levedara e vinho áspero
das videiras magras do monte que os ventos dizimavam.
Quando se ergueu, havia ainda palavras sobre a mesa,
coisas por dizer no resto do pão que alguém deixara,
feridas fundas nas mãos que fechou em silêncio e devagar.

Perto dali uma figueira florescia. À espera.

 

Poema Maria do Rosário Pedreira

Plantação de coronavírus

10
Set22

A partir de uma certa idade, isto é como quem diz, depois de uns cabelos brancos, de umas peles flácidas, e por aí fora, ficamos a entender que está tudo escrito na natureza, e que a nossa espécie pouco ou nada inventou, bem talvez aquilo que inventámos de raiz tenha sido a malvadez e um deus que não ama o macho e a fêmea da mesma forma.

Parece que o maior problema de Portugal são os portugueses

30
Mai21

pinguins.jpg

Ilustração  Peter Gut

Há muito, muito tempo, na era do covid, num país chamado Portugal, onde viviam cerca de dez milhões de habitantes, as pessoas foram obrigadas por lei a usar máscara enquanto andavam nas ruas das cidades e das vilas, era assim que estava estipulada a melhor maneira de conter a disseminação do vírus, quem não cumprisse poderia incorrer numa multa valente, mas depois vieram os ingleses  e os empregados de mesa viveram felizes para sempre.